"Depois de muita reflexão e deliberação, decidimos recuar nos planos de construir uma nova sede" em Nova Iorque, anunciou a empresa no seu blog.

"Um considerável número de políticos locais deixou claro que se opõe à nossa presença e que não trabalharão connosco para construir o tipo de relacionamento necessário para continuar com este projeto", acrescenta a nota.

Depois de avaliar uma série de cidades nos Estados Unidos durante meses, a Amazon, uma empresa em rápido crescimento, com sede em Seattle, anunciou em novembro que construiria dois novos locais de trabalho, um em Nova Iorque e outro nos arredores de Washington.

Desde então, vários democratas nova-iorquinos levantaram-se contra a proposta: denunciaram os 3 mil milhões de dólares em incentivos fiscais prometidos à empresa, o aumento esperado nos preços das casas, a saturação dos transportes públicos, passando pela ausência de sindicatos na Amazon e de consulta pública durante as negociações com o autarca e o governador de Nova Iorque.

Sem alternativa 

Depois de retirar o projeto desta nova sede em Long Island, Queens, que criaria 25 mil empregos, a Amazon disse que não vai reabrir o processo de licitação. De qualquer forma, informou que "continuará como planeado" com a matriz no norte da Virgínia, com 25.000 empregos estimados, e um centro de logística em Nashville, Tennessee, com 5.000 vagas.

O anúncio pode ser mal visto por grande parte dos nova-iorquinos, já que as sondagens mostram que a maioria seria a favor do projeto face à possibilidade da chegada do gigante digital impulsionar a capital financeira dos Estados Unidos.

A sondagem mais recente, publicada na terça-feira pelo Siena College, mostra que 58% dos eleitores eram a favor, enquanto 35% se opunham. Mas a taxa de aprovação subiu para 70% entre os eleitores negros e 80% entre os hispânicos.

Na sexta-feira, o governador democrata Andrew Cuomo já tinha avisado aos críticos que estavam a brincar "perigosamente" com o fogo, depois de o Washington Post citar fontes anónimas da empresa sobre o possível abandono do projeto.

Bill de Blasio, o mayor de Nova Iorque, que trabalhou com Cuomo, contestou a decisão da empresa.

"Oferecemos à Amazon a possibilidade de ser bons vizinhos e de fazer negócio na cidade mais maravilhosa do mundo", disse em comunicado. "A Amazon rejeitou essa possibilidade, temos os melhores talentos (...) Se a Amazon não reconhecer o nosso valor, os seus concorrentes vão reconhecer".

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