“É inadmissível que um banco tenha a capacidade de, com os nossos depósitos, financiar projetos como aqueles que os senhores deputados têm visto passear nesta cadeira. É inadmissível”, disse Mário Centeno, referindo-se aos grandes devedores do Novo Banco que têm passado pelo parlamento nas últimas semanas.

Mário Centeno foi hoje ouvido durante quase seis horas na Comissão Eventual de Inquérito Parlamentar às perdas registadas pelo Novo Banco e imputadas ao Fundo de Resolução.

Respondendo a questões da deputada Mónica Quintela (PSD), o também antigo ministro das Finanças considerou que “o risco no balanço dos bancos reside, em grande medida, na parte imobiliária”.

“Se lhe contarem histórias de que conseguem, de repente, fazer ouro, como se fossem Midas, com ativos imobiliários, não acredite, porque não há nenhum banco que esteja vocacionado para isso”, disse à deputada.

Centeno prosseguiu dizendo que os bancos “não são agências imobiliárias ou agentes de exploração imobiliária”.

“Garanto que se a senhora deputada pensar 30 segundos nisto vai chegar à conclusão que não quer que sejam. Porque eles estão a fazer isso com os seus depósitos”, prosseguiu

“Os seus depósitos estão a financiar os investimentos das pessoas que têm passado por este lugar. Você acha isto aceitável? Acha mesmo aceitável? E que devíamos procrastinar e voltar a dar mais dinheiro a essas pessoas?”, questionou Mário Centeno.

Para Mário Centeno, esses ativos imobiliários “não podem lá ficar a abolorar a ver se um dia resulta nalguma coisa”.

“Os exemplos que temos visto a passar aqui são os exemplos de insucesso, e isso é uma visão que não devemos fazer passar para os portugueses, porque não só a banca portuguesa não é assim, como os empresários portugueses não são assim”, defendeu o governador do Banco de Portugal.

Mário Centeno revelou que gostaria “que os senhores deputados pudessem convidar alguém que tivesse uma história de sucesso, porque há muitos”, para que “os portugueses pudessem ficar com a sua autoestima um pouco mais elevada”, estimando que “99% dos devedores da banca são histórias de sucesso”

“As regras apertadas que a banca tem hoje são absolutamente insubstituíveis e têm que existir”, concluiu.

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