Mário Centeno falava na Convenção Nacional do PS, no pavilhão Carlos Lopes, em Lisboa, num discurso com várias críticas à oposição, advertindo que a "política fiscal não pode ficar entregue à demagogia" e, por outro lado, usando a ironia de que agora, em 2019, "a despesa pública parece ser um bem sem limites".

"Se nesta legislatura que agora termina, o esforço orçamental com o investimento público aumentou 45%, na próxima legislatura o esforço com o investimento vai aumentar 56%. É o que está inscrito no cenário macroeconómico do PS", declarou o titular da pasta das Finanças.

Perante os militantes socialistas, Mário Centeno defendeu a tese de que o investimento é um instrumento fundamental designadamente para o crescimento e para a criação de emprego.

"Mas para um crescimento económico e para uma criação de emprego que sejam sustentáveis", ressalvou.

Mário Centeno sustentou que "as contas certas foram uma marca da legislatura 2015/2019, com mais emprego, mais investimento, mais rendimento, mais produção, menos dívida, menos juros pagos e menos desemprego".

"No cenário macroeconómico deste programa eleitoral temos como objetivo que a dívida fique até ligeiramente abaixo dos 100% em 2023, o que permitirá que Portugal deixe definitivamente o grupo de países com mais dívida pública, aproximando-se da Espanha, Bélgica e França. Só assim será possível manter um nível de juros baixos e investimento, não só público, como também privado", disse.

O ministro das Finanças deixou a seguir críticas às forças da oposição, PSD e CDS-PP, começando por referir que a situação da economia portuguesa "mantém-se em termos de exigência".

"Quatro anos depois, parece que agora é tudo fácil e, portanto, a política fiscal está em leilão. Não podemos permitir que a política fiscal seja entregue à demagogia. Também sabemos que logo ao lado existe o leilão da despesa pública, que agora parece um bem sem limites", criticou Mário Centeno.

Antes, no mesmo painel de apresentação das medidas do programa eleitoral do PS sobre Boa Governação, a ministra da Presidência, Mariana Vieira da Silva, fez um resumo do debate da manhã sobre serviços públicos, que moderou, afirmando que “o PS reconhece os problemas quando eles existem”.

Defendendo que “em política não há soluções simples”, Mariana Vieira da Silva resumiu as propostas do PS para os serviços públicos em quatro linhas: mais profissionais, mais qualificações, inovação e melhor acesso.

“A administração pública nos últimos anos sofreu com muitos anos sem entradas de pessoal, temos uma carência”, admitiu, alertando que, nos próximos anos, haverá “uma saída muito significativa” de funcionários públicos, sendo necessária uma aposta rápida nas qualificações.

A secretária de Estado Adjunta e da Educação e número um na lista do PS às legislativas por Santarém, Alexandra Leitão, resumiu o debate sobre as áreas de soberania – Defesa, Segurança, Justiça e Negócios Estrangeiros -, onde considerou ser necessário “um novo paradigma”.

“O que o PS propõe é que as áreas de soberania sejam reforçadas, mas também tenham um novo paradigma: garantir os direitos de cidadãos e desenvolver o tecido económico de Portugal e, nesse sentido, estarem mais próximas dos cidadãos”, defendeu.

Aumentar a atratividade das carreiras na defesa, requalificar estabelecimentos prisionais, tornar a justiça mais célere e melhorar a formação inicial de magistrados foram algumas das medidas gerais que elencou.

Coube à 'número dois' do PS por Aveiro, a professora universitária Cláudia Santos, a área da qualidade da democracia e descentralização, para a qual destacou uma medida: a promoção da educação para a cidadania.

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