Dos associados que responderam ao inquérito com o tema “Impacto na economia local: efeitos provocados pela covid-19”, a maioria (92%) têm microempresas com “menos de 10 trabalhadores” e 66,7% pertencem ao comércio.

“Se porventura, o verão de 2021 for igual ou pior do que o verão de 2020, a época de inverno pode ser extremamente dramática para o futuro da sustentabilidade das empresas do Algarve”, advertiu o presidente da ACRAL, Paulo Alentejano, citado num comunicado da associação.

A mesma fonte pediu ao Governo a adoção de “medidas diferentes” que possam “garantir a sobrevivência do tecido empresarial algarvio e evitar ao limite uma crise social no Algarve”, região que tem sido fortemente afetada pelas restrições ao turismo.

“Face à atual conjuntura, 88% das empresas responderam que foram gravemente afetadas com prejuízos acumulados nos últimos meses”, quantificou a ACRAL, frisando que a avaliação feita à situação atual é “muito má” e “70% dos inquiridos” sentiu “em 2021 um agravamento da situação”.

A ACRAL apontou como uma das razões para a falta de confiança destes empresários “a acentuada quebra das receitas” devido à “baixa procura de produtos e serviços após o confinamento” causada pela “drástica" descida da procura.

“Em conformidade com os dados obtidos a partir do referido inquérito, conclui-se que 66,7% dos inquiridos correspondem a empresas da qual o comércio é a atividade principal, 16% dizem respeito aos serviços e 16% à hotelaria e restauração” reportou a associação empresarial algarvia.

Quanto às expectativas para os próximos 12 meses, “72% dos inquiridos não preveem qualquer tipo de melhoria” e, por isso, tiveram de controlar custos, adiar ou cancelar investimentos ou dispensar trabalhadores, situação que implicou um “aumento da taxa de despedimento” e do desemprego na região.

“Relativamente às restrições decretadas pelo Governo, 97% dos inquiridos concordam com as medidas impostas ao nível da saúde, contudo, os seus estabelecimentos foram seriamente prejudicados com as restrições aplicadas nos seus setores de atividade e, apesar de uma grande percentagem ter conhecimento dos apoios disponibilizados pelo Governo e ter aderido aos mesmos, 94% considera que os apoios do Estado não são correspondentes às necessidades”, referiu ainda a ACRAL.

Estes empresários criticaram a “muita burocracia” imposta para aceder aos apoios do Estado às atividades económicas mais afetadas pela pandemia de covid-19 e mostraram uma “enorme preocupação” pelo fim das moratórias de crédito.

“O Algarve depende fortemente do setor do turismo, sendo que 73% dos inquiridos estimam que o verão deste ano será igual ou pior do que o verão do ano passado. Os empresários algarvios revelam estar receosos e com grande incerteza perante o futuro que se aproxima e cerca de 68% prevê que a retoma da economia não se efetive antes de 2023”, observou a ACRAL.

Por isso, a ACRAL pediu também às autarquias para criarem gabinetes locais de apoio aos empresários, compostos “por equipas multidisciplinares especializadas” para dar apoio “ao nível financeiro, bancário, contabilístico e jurídico”.

O objetivo é orientar os empresários no que respeita a “incentivos, candidaturas e apoios disponíveis”, como já foi criado em Faro com a designação “Gabinete SOS Empresas”.

Porque o seu tempo é precioso.

Subscreva a newsletter do SAPO 24.

Porque as notícias não escolhem hora.

Ative as notificações do SAPO 24.

Saiba sempre do que se fala.

Siga o SAPO 24 nas redes sociais. Use a #SAPO24 nas suas publicações.