A posição de Catarina Martins foi transmitida, em conferência de imprensa, no final da Mesa Nacional do BE, que se reuniu hoje, no qual o partido considerou que a proposta orçamental exclui respostas de esquerda e não responde ao impacto da inflação.

"A Mesa Nacional do BE decidiu que, mantendo-se este um orçamento em que os serviços públicos perdem capacidade, embora a receita fiscal aumente, e em que os salários e as pensões têm uma perda real, embora o Produto Interno Bruto e a produtividade do país aumente, é um Orçamento que só pode merecer o voto contra do BE", disse a líder bloquista.

Para a coordenadora bloquista, a atual proposta de Orçamento “estrangula” a atuação na saúde, na educação e na justiça, apontando que existe um milhão de pessoas sem médico de família e o risco de no início de ano letivo haver milhares de alunos sem professores.

“É do nosso ponto de vista incompreensível e inaceitável que o Orçamento do Estado tenha mais receita fiscal e os serviços públicos fundamentais não tenham mais capacidade e que permaneçam estas falhas grandes na resposta à população”, justificou.

Catarina Martins acrescentou que o executivo “desistiu daquilo que tinha anunciado na campanha eleitoral”, quer da melhoria de rendimentos, quer de uma economia mais equilibrada.

“Todos esses objetivos foram abandonados, porque o Governo olha para um ciclo de inflação que é provocado pelos preços, e recusa-se a controlar preços. Recusa-se a controlar preços e recusa-se também a atualizar salários e pensões. Ou seja, os salários e pensões têm uma quebra real e vamos continuar a assistir a fenómenos de enriquecimento de uns poucos, como o caso da Galp”, disse.

Catarina Martins frisou, contudo, que o partido apresenta propostas de alteração que procuram "responder às necessidades do nosso país" na saúde, na educação, na justiça, nos salários e nas pensões, na segurança social e na habitação.

Quando questionada sobre que propostas aceites pelo Governo levariam o partido a mudar o sentido de voto, a líder do BE foi categórica: “Que tenha o rasgo de fazer o controlo de preços para contrariar a inflação que estamos a sentir, ao mesmo tempo que atualiza os salários e as pensões para que não haja uma quebra real do poder de compra de quem vive do seu trabalho”, disse.

“O PS tem maioria absoluta e, portanto, as negociações fazem-se quando se está a tentar constituir maiorias para um caminho. Neste momento há já maiorias. O BE fará propostas, estará atento a todas as propostas e o PS votará como entender”, acrescentou.

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