“Nós vamos fazer tudo o que esteja ao nosso alcance para obter um acordo. Agora, um acordo não se obtém a qualquer preço, porque o preço não é pago do meu bolso, é pago pelo bolso do conjunto dos portugueses, da atual geração, das novas gerações e do futuro do país”, declarou, numa conferência de imprensa após participar numa cimeira de líderes da UE.

Recordando que, no sábado, vai voltar a ter reuniões com Bloco de Esquerda e PCP, e reiterando que o trabalho intenso vai prosseguir, pois “enquanto houver estrada para andar, há que caminhar”, e é isso que o Governo fará, António Costa advertiu então que há limites para as cedências que o seu executivo pode fazer, pois há que acautelar o futuro do país.

“Não podemos pôr em causa a credibilidade internacional que o pais recuperou, não podemos por em causa a sustentabilidade da segurança social que o pais recuperou, não nos podemos esquecer que temos uma das dívidas mais elevadas da Europa – ainda hoje o Eurostat veio relembrar que temos a terceira divida mais alta da UE”, declarou, justificando assim que um entendimento, por mais desejado que seja, “obviamente não pode ser a qualquer preço”.

Insistindo que é “preciso garantir de uma forma responsável o amanhã”, António Costa apontou que é assim que o Governo tem agido desde 2016: “foi assim que virámos a página da austeridade sem que o diabo tivesse aparecido, foi assim que, depois de 17 anos sem convergir com a UE, o país voltou a convergir, foi assim que resistimos a esta pandemia em 2020 e 2021”, declarou.

O primeiro-ministro reiterou que o seu otimismo num compromisso que permita a viabilização do OE2022 na Assembleia da República deve-se sobretudo a uma questão de “racionalidade”.

“Num quadro destes, que sentido é que faz, depois do drama [da pandemia da covid-19] que andámos a viver, criar agora um novo drama? Depois da crise [económica provocada pela pandemia] que tivemos, criar agora uma crise política? Eu não vejo que haja a menor racionalidade. Acho que ninguém compreende. Se fizerem uma sondagem aos portugueses a perguntar se alguém deseja uma crise política, se alguém compreende que haja hoje uma crise política, a resposta que toda a gente dirá é «não»”, disse o chefe de Governo.

Hoje à noite, a Comissão Política do PS reúne-se para avaliar o estado das negociações do Orçamento com o BE, PCP, PEV e PAN, num quadro ainda de incerteza sobre a viabilização da proposta do Governo.

Esta reunião acontece cinco dias antes da votação na generalidade da proposta do Governo de Orçamento do Estado para 2022 e no final de uma semana em que as negociações entre executivo, PAN e partidos à esquerda do PS registaram escassa evolução em termos de perspetiva de acordo.

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