“Portugal não conseguiu acumular recursos dos contribuintes como outros países […]. Com os recursos que são dos contribuintes sobrecarregados pelos impostos, não temos capacidade para indemnizar as empresas pelos prejuízos causados pelo confinamento”, afirmou o vice-presidente da CIP, Rafael Campos Pereira, durante a apresentação ‘online’ de um estudo, desenvolvido em parceria com o Marketing FutureCast Lab do ISCTE.

Apesar de admitir que, perante a atual situação pandémica, são necessárias medidas para reduzir o risco de contágio, este responsável notou que “não há saúde sem economia, nem economia sem saúde”.

Neste sentido, a CIP defendeu a adoção de confinamentos “mais racionais” e não “extremados”, bem como o aumento da testagem, vacinação e isolamento dos casos positivos.

“É difícil acreditar que os transportes públicos não estejam na origem dos 87% dos contágios que não sabemos de onde vêm”, apontou Rafael Campos Pereira, vincando ser necessário o aumento das carreiras para evitar aglomerações.

A CIP notou ainda que, desde abril, propôs a adoção de medidas para a capitalização das empresas, bem como injeções de capital, sugestões que, segundo a confederação, só este mês foram tidas em conta.

“O Governo anunciou hoje a criação de uma linha de crédito em que 20% do montante emprestado pode ser convertido em subvenções a fundo perdido para as empresas”, disse.

Para a CIP as condições destes empréstimos parecem ser “menos favoráveis”, embora ressalve que não é conhecido se a conversão dos montantes em subvenções está sujeita a alguma condicionante.

Na sexta-feira, as empresas de restauração, bares e cafés voltaram a fechar as portas, funcionando apenas com ‘take-away’ e entregas ao domicílio.

O dever de recolhimento entrou, novamente, em vigor e o teletrabalho passou a obrigatório, com coimas agravadas.

Quase 40% das empresas consideram medidas insuficientes

Perto de 40% das empresas consideram insuficientes as novas medidas para travar a pandemia de covid-19, enquanto 30% defendem que estas são adequadas, divulgou a CIP.

De acordo com o novo inquérito desenvolvido pela CIP com o Marketing FutureCast Lab do ISCTE, 21% dos inquiridos referiram que as medidas são demasiado restritivas e 12% não têm opinião formada sobre este tema.

Por sua vez, 83% das empresas considerou, na semana de 11 de janeiro, que os programas de apoio do Estado estão “aquém ou muito aquém” do que necessitam, enquanto 16% defendem que “estão à altura das dificuldades” e 1% que “superam as expectativas”, percentagens em linha com as verificadas no último inquérito.

“A avaliação que as empresas fazem dos apoios do Estado mantém-se muito negativa, com quatro em cada cinco empresários a considerarem que estão aquém ou muito aquém do que seria necessário”, destacou o vice-presidente da CIP, durante a apresentação dos resultados do inquérito.

No entanto, Rafael Campos Pereira afirmou que esta realidade parece evidente até para o Governo, uma vez, “à medida que o tempo vai passando”, acolhe as propostas da CIP.

“A crise só não é incomensuravelmente maior porque as empresas estão a fazer um grande esforço para cumprir as suas obrigações”, concluiu.

Já o número de empresas que pediu financiamento bancário manteve-se, no período de referência, em 46%, sendo que o número das que receberam este financiamento desceu de 11% para 9%.

Na semana de 11 de janeiro, o número de empresas que responderam a este inquérito e que se encontravam em pleno funcionamento baixou de 87% para 85%, as fechadas mantiveram-se nos 2% e as parcialmente encerradas subiram de 11% para 13%.

O número de empresas que aumentaram os prazos de pagamento aos fornecedores progrediu de 18% para 22% em dezembro do ano anterior.

Em dezembro, verificou-se uma queda de vendas e prestação de serviços em todos os tipos de empresa, destacando-se as micro empresas, com 63% a afirmarem que estas diminuíram.

No que concerne às encomendas em carteira, 40% revelaram que diminuíram, 26% mantiveram e 8% aumentaram.

“Face a 01 de dezembro, o valor da diminuição aumentou de 37% para 40%”, revelou.

As expectativas de vendas das empresas para o primeiro trimestre de 2021 é negativa, em comparação com o período homólogo, com 51% a esperarem uma diminuição.

“Esta perspetiva negativa é sobretudo verificada nas micro empresas com 60% a esperar um comportamento negativo das suas vendas. Nas grandes empresas a expectativa de crescimento é verificada em 24% das empresas, mas há um claro decréscimo face ao mês anterior”, adiantou.

O número de empresas que espera diminuir o número de trabalhadores fixou-se em 18%, enquanto 8% pretendem aumentar nos primeiros três meses de 2021.

Por tipologia, nas médias empresas existe uma expectativa de manutenção do número de postos de trabalho e nas grandes, pequenas e micro empresas uma perspetiva de redução.

Para a realização desta análise foi considerada uma amostra de 735 empresas, num universo de 150 mil, com um erro amostral máximo de cerca de 3,7% para um intervalo de confiança de 95%.

Por setor, a indústria e a energia tiveram o maior peso (38%), embora inferior ao mês anterior (50%).

A amostra é constituída em 77% por micro e pequenas empresas, acima dos 71% registados no mês anterior.

As empresas de média dimensão representam 18% da amostra e as grandes empresas 5%.

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