Comecemos pelos partidos. É irónico, divertido - ainda que trágico - ver que aqueles que passam a vida a encher a boca com "menos estado, mais iniciativa privada", sejam aqueles que estão contra o fim destes contratos - que mais não são do que "mais estado e menos privado"… Como foi o Governo de Passos Coelho que perpetuou esta embrulhada - pelos vistos, oferecendo um bom negócio aos colégios privados sem cuidar de avaliar os recursos públicos entretanto criados… -, vê-se agora na contingência de defender o que (vou fazer-me de ingénuo…) precipitadamente assinou.

Ao contrário, o Governo socialista, acusado pela direita de ser despesista, gastador, e pôr em causa todo o trabalho de formiguinha feito pelo PSD e pelo CDS, é por estes arrasado no primeiro momento em que mostra alguma vontade de gerir recursos com parcimónia e inteligência…

Parece que os papeis se invertem. Na verdade, o que se inverteu foi apenas o lugar de cada um no xadrez político: os que estão fora do poder, podem agora gritar o que lhes apetece e parecerem meninos de coro a caminho da missa. Não é nada com eles. Pior: tinham a austeridade na ponta da espingarda até há uns meses, e agora descobrem que Portugal é tão rico que até os pais com menos recursos económicos podem optar por colocar os filhos em colégios privados, e caros…

Há porém um ponto em que PSD e CDS têm razão. E é relevante. Por mais falha ou buraco negro que possa existir na legislação - e que permita ao Governo abreviar estes contratos -, eles foram assinados para três anos. E os colégios que os assinaram confiaram.

Que o Estado não é pessoa de bem, há muito que sabemos. E disso somos responsáveis, nas escolhas que fazemos em cada eleição. Que um Governo dito socialista tenha a desfaçatez de mostrar à luz do dia que a palavra dita, assinada e reconhecida, não tem qualquer valor, sustentado num qualquer artigo da lei obscuro e desconhecido dos colégios, é um atentado à já escassa confiança que temos em tudo o que cheira a Estado.

E se é verdade que o Estado somos todos nós, quem raio somos para deixar que chegue a este estado? Talvez devêssemos parar e pensar nisto. O que não vale é misturar uma medida certa - a do Governo - com o momento errado em que é aplicada, a dois anos do fim do contrato que foi assinado. Não se mudam regras a meio do jogo.

ESTA SEMANA RECOMENDO, SÓ COM UM CLIQUE…

O artigo do escritor e professor universitário Moustafa Bayoumi, numa edição recente do The Guardian, dá-nos um olhar radicalmente diferente - menos dramático, mais optimista, e acima de tudo tranquilo - sobre os Estados Unidos da América que levam Donald Trump a umas Eleições Presidenciais. Para ele, a atitude de Trump une os que defendem uma América multi-cultural, multi-racial, democrática e livre…

A crise política no Brasil continua a confundir meio-mundo. A legislação do país é tão complexa, os patamares de decisão são tantos e tão paradoxais, atropelando-se uns sobre os outros num caos de decisões sem saída, que é difícil encontrar o fio à meada. Esta matéria do diário francês Le Figaro ajuda a perceber um pouco melhor o estado actual das coisas…

Começou ontem, acaba no domingo, e constitui uma verdadeira explosão de criatividade e ideias - é o 18º Festival do Clube de Criativos de Portugal, que junta boa parte dos talentos que fazem da publicidade e do marketing nacionais uma potência com valor acrescentado - e respeitado - no universo dos media em todos os continentes. Há eventos públicos, outros pagos, alguns só para profissionais, mas no site do Clube pode acompanhar estes quatro dias e escolher o que fazer. Vale a pena.