Faço hoje 34 anos. Estou naquela idade em que não sou velho, mas também já não sou novo. O corpo começa a queixar-se e a fazer-me lembrar de que a partir de agora será sempre a descer. Para colocar em perspectiva, se eu fosse jogador de futebol e uma equipa me contratasse, os adeptos diriam «Um gajo em fim de carreira? Isto é o lar da terceira idade ou quê?».

Estar nos trinta é ter de ser adulto, mas ainda não se querer: levar o carro à inspeção, submeter o IRS; mas, acima de tudo, sei que já não sou jovem quando dou por mim a ver a caixa do correio sem estar à espera de nenhuma encomenda. Estar nos trintas é começar a pensar que uma Bimby ou uma Rainbow até valem a parvoíce de dinheiro que custam, até porque o domingo começa a ser dia de acordar cedo para fazer sopa para a semana toda e aspirar a casa.

O pior desta idade são as famosas ressacas de dois dias. Quando estava na casa dos vintes, pensava que era um mito e orgulhava-me da minha capacidade de ficar alcoolizado e acordar cedo e fresco que nem uma alface. Pensava que era coisa de quem nunca tinha ido aos treinos e preparado o fígado para ser uma espécie de Rambo que resiste a tudo e a todos. Ao que parece, existe mesmo um mecanismo no nosso corpo que, mal fazemos trinta, é accionado, ou desligado, e as ressacas começam a durar uma eternidade de sofrimento.

Escrevi este texto na quinta-feira porque já sei que hoje e amanhã devo estar como quem acabou de ser atropelado e envenenado por espiões russos. Nunca gostei de sair à noite à sexta-feira, mas agora começo a ver com bons olhos, já que é a única forma de chegar à segunda-feira quase recomposto. Estou a brincar, sair à noite começa a não ser atrativo de todo. Com este frio? Com esta chuva que faz com que lesões antigas comecem a entrar em contacto connosco ao mínimo sinal de humidade?

Depois dos trinta, os nossos joelhos começam a ser amigos presentes que fazem questão de nos dar sinais de que estão lá. Todo o corpo começa a falar mais connosco: acordamos e «Olha, dói-me o pulso, está giro. Não me lembro de ter dado nenhum jeito.»

Nos jantares de amigos fala-se de planos poupança e reforma, créditos e habitação, móveis do IKEA e, principalmente, de doenças. Quando se combinam as férias, já se fala em cruzeiros porque viajar de comboio e pernoitar num hostel já não é opção viável. É preciso descansar para acordar cedo e visitar museus e, imagine-se, não juntar o pequeno-almoço com o almoço. De resto, recordam-se histórias de outrora onde há sempre esta frase «Isso já foi há uns 8 anos, ou assim. Foi em 2001, talvez… txii, 17 anos, ya… estamos velhos.». Quando nos perguntam, no fim do um jantar, se queremos um digestivo, a nossa resposta é «Pode ser, tens chá de cidreira?».

Mas, acima de tudo, sei que estou velho quando vejo raparigas de 18 anos, a sair à noite seminuas e já não olho para elas com um olhar guloso, mas sim com apreensão e com o pensamento «Será que os pais delas sabem que saem assim à noite?».

Sugestões e dicas de vida completamente imparciais:

Evento de comédia solidário em Albufeira, 7 de Abril, que reverte a favor da APEXA – informações aqui.

Evento de comédia solidário em Coimbra, 18 de Maio, cujas receitas revertem a favor das comunidades afetadas pelos incêndios de outubro de 2017, no concelho de Arganil. Bilhetes aqui.

Especial de comédia do Ricky Gervais, na Netflix – não gostei, é demasiado bom.

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