Tudo isto me faz rir muito. Tristemente, é certo, mas faz. Portanto, há milhares e milhares de anos que há uma desigualdade de género abissal e global entre homens e mulheres. Nos últimos – tão poucos – anos, conseguiu reduzir-se um – tão – pouco esta desiguladade, e há um monte de homens cheios de medo disso. Admitamos que é risível. De que é que têm tanto medo? De que a pila se torne irrelevante? Ou de terem que ser melhores pais, namorados, maridos, amigos, profissionais e pessoas, para continuarem a ter valor? Custa-me perceber.

O #MeToo está fora de controlo porque, entre os MILHÕES de mulheres que sofrem abusos sexuais, há umas poucas centenas de homens acusados – e metade deles condenados – pela merda que fazem? Uau, dramático para os homens, de facto. Quem é que quer viver num mundo onde não se pode apalpar desconhecidas nos transportes públicos, não é? “Com este descontrolo, todos os homens estão em risco de ser acusados de assédio”. Calma aí com esse “todos”, evitem generalizar o vosso peso de consciência. Hoje em dia já não se pode dizer nada às mulheres na rua? E se não é irónica a assunção de que em todos os dias para trás os homens estavam no seu pleno direito ao soltar um “fazia-te um pijaminha de cuspo!” a uma mulher que passava. “Ah, e esta estupidez das cotas? Vão ficar com o meu trabalho só porque são mulheres?”. Tenho aqui uma novidade que é capaz de vos surpreender: vão ficar com o vosso trabalho se forem melhores que vocês. Entendo que seja chato agora também ter que competir com as mulheres – e não é que ainda por cima elas são tão competentes quanto os homens? – mas vão mesmo ter que se esforçar um bocadinho mais. O mundo é tão injusto para os homens, realmente.

A cereja no topo deste bolo de ironia cristalizada é que os homens que dizem todas estas coisas são os mesmos que dizem “uma mulher que vai para a cama com muitos homens é uma galdéria inominável (vai ver ao dicionário, se fores um deles)”, “anda de mini-saia, está à espera de quê” ou “já todos violámos alguém”.

O machismo de “o lugar da mulher é na cozinha” é cada vez menor, é certo, mas é importante percebermos, enquanto humanidade, que isso é apenas 5% de todo o machismo e todo o resto ainda tem que ser debelado, para o bem de todos.

Acalmem lá o vosso egozinho de macho soberano e providenciador e não tenham medo da igualdade de género. Pensem assim, quanto mais respeitarem os direitos do ser humano (porque é disso que se trata, não é os direitos das mulheres ou dos homens), mais as mulheres vão respeitar a vossa pila e dessa forma nunca cairá em desuso.

Sugestões mais ou menos culturais que, no caso de não valerem a pena, vos permitem vir insultar-me e cobrar-me uma jola:

- Roda Bota Fora: Há cada vez mais e melhor stand-up comedy em Portugal. Diogo Abreu, Daniel Carapeto, Guilherme Fonseca, Duarte Correia da Silva, Pedro Sousa e Pedro Durão, vão estar no Teatro Ibérico nos dias 23 e 30 de Outubro, e 6 e 13 de Novembro. Bem sei que sou suspeito por ser amigo deles, mas acho genuinamente que vai ser muito bom.

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