Praias como as de Carcavelos, da Costa da Caparica, de Miramar, de Santa Cruz, de Dona Ana ou da Manta Rota, e tantas outras, não vão nos dias quentes deste verão poder ter as habituais marés humanas no areal. Parece óbvio que terá de haver lotação para cada praia, de modo a que seja respeitado o distanciamento social de segurança. Implica, provavelmente, em muitos casos, metade ou menos dos acessos habituais. Mas, como será possível garantir que todos podemos continuar a ter praia gratuita? O acesso será por turnos? Duas ou três horas para cada turno nas praias mais procuradas? Com a cooperação de todos, a praia pode ficar melhor, muito melhor, com espaço amplo para cada pessoa. Obviamente, há que garantir que todos podemos ter acesso. É complexo, é coisa para gerar discussões, mas é bom para todos. Uma investigadora em Saúde Pública alerta para a conveniência de praias serem fechadas em dias ou em períodos de dia muito ventosos em que as gotículas de saliva se propagam mais. É uma época nova em que, sem tensões, poderemos passar a ter a praia mais agradável, com espaço para todos desfrutarmos do sol e do mar. É essencial que possa ser garantido o acesso a todos, sem custos. Em França, há concessionários de praias que estão a prever que cada pessoa possa estar na praia pelo tempo de um banho de mar e o respetivo banho de sol até secar. Deseja-se que em Portugal não seja precisa tanta limitação. E, sobretudo, que todas as praias continuem a estar abertas a todos, embora com sistemas justos de lotação.

Outra questão nos prazeres: as esplanadas. É de imaginar que possam estar acessíveis antes ainda dos espaços interiores de restaurantes e bares. Tem de ser preciso acabar com os montões de pessoas em volta de mesas que estão umas coladas às outras. Nem montões de pessoas nem mesas umas juntinho das outras. O resultado é mais qualidade para todos, ainda que com o problema de esperar pela vez.

Vamos ter de nos preparar para este novo modelo de vida que, afinal, ao proporcionar-nos a todos mais espaço, nos propicia melhor qualidade de vida. Importa que essa melhor qualidade não implique mais custo para os utilizadores. As circunstâncias obrigam-nos a todos a mudanças em anteriores hábitos. O novo modelo de distância social vai, provavelmente , gerar quezílias, mas parece demonstrado que todos temos a noção da importância crucial da distância social para quebrarmos a pandemia.

Poderemos reimaginar o modo de estarmos juntos? Vai ter de ser. Assim, conseguiremos o melhor modo de estar num quadro geral que se tornou ameaçador. Mas temos a inteligência para nos adaptarmos, é o nosso trunfo sobre o vírus.

O comércio que foi forçado a fechar e que consegue sobreviver, progressivamente, vai voltar já nas próximas semanas, mas a vida social ainda vai demorar muito, e obrigada a uns dois ou mais metros de distância, antes de se aproximar do que era.

Um dia voltaremos a desfrutar dessa grande liberdade que é a de nos beijarmos e abraçarmos sem termos de estar obcecados com a constante desinfeção da vida. Poderemos ter ganho mais espaço para cada um de nós no meio da multidão.

VALE VER:

Como o vírus ataca o nosso corpo.

Crónica da vida em Nova Iorque atacada pelo vírus.

A vida dentro de uma ambulância, em Milão, no tempo do vírus.

Filmes que anteciparam a calamidade.

A espantosa harmonia dos músicos da MET, reunidos à distância, com a história contada aqui.

Duas primeiras páginas: esta e esta.

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