Apesar de o texto enunciar alguns problemas que carecem de efetiva resolução por parte das entidades competentes, importa esclarecer alguns pontos, sublinhando o investimento existente por parte das empresas para promoção de um futuro cada vez mais sustentável e inclusivo para as comunidades, tanto as locais como as de imigrantes.

O Sudoeste Alentejano apresenta excelentes condições climáticas e topográficas, que possibilitam a produção durante todo o ano. Por este motivo, a fixação e expansão de empresas de produção agrícola tem aumentado nos últimos anos. Porém, é essencial que se compreenda que a área dedicada à agricultura corresponde a menos de dez por cento da área total do Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina, e claramente abaixo dos limites aprovados. Nesta percentagem, incluem-se as culturas que utilizam coberturas e as que não recorrem a qualquer estrutura. Assim, importa assinalar que a área ocupada por estufas, túneis e estufins é, de facto, muito reduzida, estando na ordem dos dois por cento.

Mesmo não ocupando uma área tão expressiva como aquela se tem vindo a divulgar, as empresas têm apresentado uma postura proativa, procurando mitigar eventuais efeitos que estas estruturas possam causar através do desenvolvimento de sebes e cortinas de abrigo, assim como de corredores ecológicos, com o objetivo de preservar a biodiversidade no meio onde estão inseridas. Também relativamente à utilização de recursos naturais, há uma grande consciência das empresas, que, por exemplo, e no que diz respeito à água, utilizam sistemas de gestão de rega, recorrendo, na sua maioria, a rega gota-a-gota, minimizando desperdícios.

Já sobre a crescente comunidade imigrante na região, não há dúvidas que o aumento da produção agrícola, aliada à escassa mão de obra disponível naquele território, a tornou muito apelativa para os imigrantes. Na região de Odemira, por exemplo, a agricultura emprega milhares de pessoas, tanto de outras regiões do país como de outras nacionalidades, contribuindo para combater uma desertificação do território que era evidente. É preciso recordar que, após um período experimental, muitos imigrantes acabam por se fixar na região com as suas famílias, contribuindo naturalmente para o desenvolvimento de outros setores de atividade (como a restauração ou o turismo que emprega cada vez mais imigrantes e também se debate com a falta de mão de obra) e, consequentemente, para o aumento do PIB.

Conscientes da escassez de resposta das freguesias do litoral e da necessidade de integrar estas pessoas nas comunidades locais, criando condições para que se fixem no território, as empresas têm vindo a trabalhar em várias propostas e a implementar diferentes medidas de cultura organizacional. Uma delas é a proposta para alojamento temporário nas quintas, que tem como principal objetivo apoiar o trabalhador numa fase inicial de integração, dando-lhe condições de habitação condignas e cómodas por um valor justo, muito inferior ao que é pago nos centros das localidades (muitas vezes com menores condições).

Não podemos ignorar que a agricultura é o setor produtivo mais importante desta região: a título de exemplo, só em 2018, as exportações de frutos vermelhos atingiram valores na ordem dos 205 milhões de euros. Devemos ter ainda a consciência que todos os processos de desenvolvimento de um determinado território apresentam desafios. É necessário que as entidades governativas, juntamente com as empresas, criem respostas consertadas, capacitando o território a nível financeiro e de infraestruturas, mas também de estratégias para combater problemas conhecidos de exploração, por parte de agentes intermediários. O Sudoeste Alentejano merece um futuro sustentável e inclusivo.

*Nuno Pereira é presidente da AHSA - Associação dos Horticultores, Fruticultores e Floricultores dos Concelhos de Odemira e Aljezur. A associação congrega 20 das principais empresas agrícolas da região, nas fileiras da horticultura, fruticultura e floricultura.

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