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Déjà-vu (ou nem por isso?)

António Moura dos Santos
António Moura dos Santos

Não foi necessário um ano, mas não ficou muito longe disso. Praticamente 10 meses depois do primeiro confinamento devido à covid-19, Portugal preparou-se hoje para entrar no segundo.

Paira, por isso, uma estranha sensação ambivalente:

  • Por um lado, admite-se uma certa inevitabilidade. Perante o enorme número de novos casos que se têm somado de dia para dia, dificilmente alguém terá ficado surpreendido que o Governo tenha optado por puxar a alavanca de emergência;
  • Por outro, uma familiaridade amarga, porque já passámos por isto e sabemos como é. Como quem repete um exame médico doloroso, temos o conforto de saber do que se trata, mas nem por isso custa menos, especialmente para quem se estava a refazer do anterior “lockdown”.

Este, porém, não é bem um daqueles casos onde a tendência é para usar chavões de que “a história não se repete, mas rima”. Sim, vamos ficar em casa — pelo menos a maioria que pode operar em teletrabalho ou que tem de se submeter ao lay-off —, mas há bastantes diferenças a ter em conta de março até agora.

Para começar, o dito teletrabalho é agora obrigatório em todas as instâncias em que possa ocorrer, as escolas vão continuar abertas e o Governo vai permitir exceções que em março e abril não tiveram lugar, como a organização de cerimónias religiosas ou a visita a lares.

Além disso, estamos perante um evento a nível nacional que forçosamente implica a deslocação de pessoas. Mesmo facilitando o processo de votação antecipada, é de crer que — mesmo que a abstenção se tema ser ainda mais gravosa que noutros anos — haja muita gente (“muita” em termos sanitários) a ir às urnas no dia 24 para escolher o seu candidato presidencial.

Mas se os tempos que se avizinham por um lado são um rumo ao desconhecido, por outro a verdade é que hoje deram-se certos acontecimentos que se repetiram, mas sob contornos distintos. O Reino Unido, por exemplo, voltou a bloquear os voos para Portugal como fez no verão. No entanto, se nessa altura a causa foi a elevada incidência de casos em certas zonas do nosso país, hoje a justificação deveu-se à tentativa de evitar a nova variante brasileira do coronavírus.

Esta sensação de retorno-que-não-é foi adensada por mais anúncio solene por parte do ministro da Economia, Pedro Siza Vieira, ladeado por Graça Fonseca, quanto à aplicação de medidas governamentais para apoiar o emprego, a economia e a cultura. Tal como ocorreu em março, também agora voltam o lay-off, as linhas de crédito e as isenções de taxas. Mas lá está, a diferença aqui é que os apoios hoje prometidos e revelados não servem tanto para salvar um tecido empresarial entrado nas urgências, mas para, pelo menos, mantê-lo vivo nos cuidados intensivos.

Confrontado com este novo confinamento que outrora avisou que o país não aguentaria, António Costa voltou hoje a dar a cara pelas decisões do Governo, numa longa entrevista na TVI. 

“Fizemos tudo o que estava ao nosso alcance para evitar chegar a esse ponto”, concedeu o primeiro-ministro, lembrando que quem governa nesta fase do campeonato tem de fazê-lo com um "equilíbrio no fio da navalha”.

“Sempre que aligeiramos as medidas, isso faz aumentar a pandemia. Sempre que restringimos as medidas, isso atinge duramente a economia. Mas temos sempre de privilegiar aquilo que é fundamental, que é a situação sanitária, por isso neste momento não podemos hesitar e a mensagem a passar é que temos mesmo de fechar”, explicou António Costa.

Tudo isto já foi bem interiorizado pela população, mas nem por isso custa menos saber que, pelo menos no próximo mês, teremos todos de voltar a ficar em casa.

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