Do oxigénio que afinal não faltou à necessidade de "uma intervenção histórica"

Alexandra Antunes
Alexandra Antunes

É o oxigénio que sustenta a respiração. A 21 de janeiro, o Hospital Professor Doutor Fernando Fonseca (Amadora-Sintra) instalou uma nova rede de oxigénio na Torre da Amadora para reforçar a já existente, face ao elevado consumo devido à pandemia de covid-19.

Com isto, os reforços vieram "praticamente duplicar a autonomia" na disponibilidade de oxigénio no hospital. Todavia, na noite de ontem, as notícias alarmantes fizeram-se notar e falava-se em falta de oxigénio.

O Hospital Amadora-Sintra  não demorou a reagir e a explicar a situação, dizendo que não estaria "em causa a disponibilidade de oxigénio ou o colapso da rede, mas sim a dificuldade da estrutura existente em manter a pressão. Assim, é necessário aliviar o consumo de oxigénio para estabilizar a rede e repor a normalidade".

Para que tal acontecesse, foram inicialmente transferidos 48 pacientes para outros hospitais de Lisboa. Segundo o hospital, "nunca esteve em causa a vida dos doentes, porque assim que foram reportadas as flutuações no débito do oxigénio, estes doentes iniciarem ventilação através de botijas, de cilindros de oxigénio".

Já no dia de hoje, o Amadora-Sintra atualizou a situação: no total, 53 doentes foram transferidos para outras instalações — e a rede de oxigénio medicinal já está a funcionar de forma estabilizada e em segurança.

"Este verdadeiro funcionamento em rede, envolvendo várias entidades, permitiu dar uma resposta exemplar a uma ocorrência extremamente desafiante", sublinhou o hospital, agradecendo a colaboração dos hospitais que receberam os doentes.

Ao início da tarde chegaram ainda mais esclarecimentos (e novidades). Segundo o enfermeiro-chefe Rui Santos, "não houve qualquer oscilação ou flutuação de pressão na rede" de oxigénio, mas toda a situação levou a que acontecesse "uma intervenção histórica": preparar a "deslocalização" de uma enfermaria no Hospital da Luz (privado), em Lisboa. Ou seja, na prática o Amadora-Sintra vai transferir uma enfermaria inteira, o que significa que 20 enfermeiros, 10 auxiliares e três médicos vão para o setor privado.

Além disso, esta tarde foram transferidos mais 32 doentes, nos quais se incluem os 19 que vão passar a ser tratados no Hospital da Luz.

Apesar da resolução do problema, o episódio serve também como alerta ao que a Ordem dos Médicos tem vindo a dizer: os hospitais da região de Lisboa e Vale do Tejo estão a chegar ao "final da linha". No fim de contas, os hospitais – centrais e periféricos – não estão a conseguir internar "doentes de média gravidade" ou a dar atenção a outros doentes que precisam de cuidados hospitalares. A covid-19 está a ocupar camas, a encher unidades hospitalares e a esgotar profissionais de saúde.

Neste sentido, o secretário de Estado Adjunto e da Saúde, António Lacerda Sales, disse hoje que o governo está atento às diferentes taxas de esforço dos hospitais da Área Metropolitana de Lisboa, por forma a haver um maior equilíbrio.

E os reforços podem estar para chegar: afinal, já se fala em diálogo entre Lisboa e Berlim sobre um possível apoio para ultrapassar atual crise sanitária e um pequeno grupo de médicos militares alemães esteve hoje no Amadora-Sintra para avaliar o possível auxílio às unidades hospitalares da área metropolitana em termos logísticos e de equipamento no combate à pandemia de covid-19.

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