Ainda que não se possa declarar "vitória", a Organização Mundial da Saúde (OMS) já sente confiança para pelo menos afirmar que há luz ao fundo do túnel e que o "fim" da pandemia da covid-19 pode estar próximo. Ou seja, o mundo parou em março de 2020, mas volvidos mais de dois anos, e depois de ter aprendido a conviver com máscaras, álcool gel e a executar a colheita de zaragatoas nasofaríngeas, já se encontra há uns bons meses a regressar à "normalidade" do "novo normal".

Porém, passado todo este tempo, e já depois de ser mais ou menos assumido que estas mudanças pandémicas trouxeram a banalização do trabalho remoto e os empregos híbridos, ainda há uma grande discrepância sobre a forma como esta transição está a ser levada a cabo. Nomeadamente, a opinião e visão dos que ocupam os cargos de chefia e os colaboradores. A conclusão é do relatório Work Trend Index Pulse Report – "Hybrid Work Is Just Work. Are We Doing It Wrong?" da Microsoft, que encontrou alguns pontos de desacordo na relação chefe-empregado em regime de teletrabalho ou híbrido.

  • Mais concretamente, os chefes de equipa não têm a certeza se os colaboradores são realmente produtivos em contexto híbrido de trabalho — e por isso são cada vez mais as empresas que recorrem a software para os "espiar". No entanto, a gigante tecnológica desaconselha a vigilância e até recomenda que se acabe com a "paranóia de produtividade".

A divisão

A primeira nota a retirar é a de que colaboradores e chefes estão divididos. Os trabalhadores abraçaram o trabalho flexível e os seus benefícios e recusam o regresso à "Hustle Culture". O "suar" pelo amor à camisola, o trabalhar além do horário normal ou aos fins de semana, é algo que parece ir contra a sua vontade. E o equilíbrio entre vida pessoal e profissional é cada vez mais tido em conta — o que, para algumas pessoas com cargos de liderança, é sinal de que o empenho já não é o mesmo.

Simplificando: colaboradores e líderes estão em desacordo com o que constitui produtividade.

créditos: Work Trend Index 2022

Para chegar a esta conclusão, a tecnológica falou (inquiriu através de questionários) com 20 mil pessoas oriundas de 11 países e analisou "triliões de sinais de produtividade" do Microsoft 365 (a.k.a Office) e tendências laborais do LinkedIn. De acordo com o relatório, a Microsoft indica que a evidência dos dados sugere que existem três pontos urgentes que os líderes das empresas devem seguir para que exista harmonia no trabalho. Porque, salienta o documento, "quando os empregados proliferam, as empresas prosperam".

1 . Acabar com a paranóia da produtividade

Neste ponto, a divergência é assumida pela opinião contrária entre as duas partes. 87% dos colaboradores afirmam ser produtivos no trabalho, mas 85% dos líderes dizem que a mudança para o trabalho híbrido criou um desafio de confiança.

2. Aceitar que as pessoas vão ao escritório umas pelas outras

Ir à empresa para restabelecer laços com os colegas? Sim. Ir ao local de trabalho para socializar? Sim. ir aos escritórios  só porque faz parte das expectativas da empresa? 73% dos colaboradores precisam de uma razão mais forte para sair de casa.

3. "Re-recrutar" os colaboradores

A maioria (55%) dos trabalhadores inquiridos acredita que para desenvolver as suas competências teria de mudar de empresa. Porém, se fosse mais fácil mudar de funções naquela em que já trabalham 68% assume que o faria.

Um trabalho já não é só trabalho – é uma experiência

Em comunicado, a tecnológica enfatiza que é "necessária uma nova abordagem que reconheça que o trabalho já não é apenas um lugar", mas antes uma "experiência que precisa de transcender o tempo e o espaço – permitindo aos colaboradores permanecer empenhados e conectados, independentemente do local em que estejam".

Para a Diretora de Colaboração e Produtividade na Microsoft Portugal, Paula Fernandes, a evidência recolhida no âmbito deste inquérito é clara: é urgente implementar uma nova abordagem para o envolvimento dos colaboradores.

"Os dados reforçam que precisamos urgentemente de uma nova abordagem para o envolvimento dos colaboradores, que agregue a força de trabalho digitalmente conectada e distribuída, realinhe os colaboradores às necessidades de negócio e os reintegre na cultura e missão das organizações", diz. "Os líderes devem concentrar-se no impacto dos seus colaboradores, esclarecendo que componentes do trabalho realmente importam e ouvir suas necessidades individuais", conclui.

Ou seja, há uma desconexão clara entre colaboradores e líderes — que está a aumentar. E para que o fosso não aumente e acabe em cisão, segundo o relatório, é necessário mudar de abordagem para acabar com a desconfiança.

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