Abrimos a porta da dispensa e do outro lado falta um pacote de massa para o jantar. Cansados de mais um dia de trabalho, talvez a socialização forçada de ir ao supermercado não seja  exactamemte o programa preferido para um final de tarde. As encomendas online demoram a chegar e uma solução mais urgente precisa-se, e não, não há possibilidade de recorrer ao vizinho da frente. A Amazon pensou nisto e criou uma solução que permite eliminar filas e 'poupar' nos postos de trabalho: Amazon Go. É o futuro dos supermercados.

O conceito é simples. Ao chegar à loja o cliente faz um “check in” através do seu smartphone; depois só tem que pegar no que quiser e ir embora. Só isto. Não existe qualquer interação humana durante o processo. O smartphone reconhece o que tirou das prateleiras e, se a meio da loja se aperceber que prefere o arroz carolino ao arroz agulha, pode ir trocar os produtos que a loja assume que fez a devolução. Ao sair do espaço o dinheiro é descontado da sua conta.

Em Portugal, o conceito de caixas automáticas vai substituindo aos poucos as tradicionais caixas operadas manualmente. Já existem dois modelos que fazem parte deste processo de automatização das compras: as caixas automáticas em que o próprio cliente regista os produtos que quer comprar e a YouBeep, a app de uma startup portuguesa e que opera em Portugal em algumas lojas Lidl e Pingo Doce. Através da app o cliente é convidado a registar por si mesmo os produtos que consome e no final faz o "check out" e paga numa das caixas.

A maior necessidade dos clientes é hoje não perder tempo em filas e a Amazon Go põe fim a esse tormento. O futuro torna-se assim menos pessoal e mais interativo com os ecrãs. É por aí que apostam várias marcas.

Nos últimos anos, a tecnologia permitiu reduzir grande parte dos contactos humanos. Já se pode encomendar uma pizza pela internet ou pela televisão, mandar vir um táxi através de uma aplicação de telemóvel ou recorrer a um serviço de apoio a clientes através de um serviço automático. Até ao nível de experiências tradicionalmente sociais, como ir a um restaurante, aparecem propostas que simplesmente eliminam o contacto de pessoas com outras pessoas.

E até quando achamos que estamos a interagir e a debater opiniões através das redes sociais somos condicionados pelos algoritmos, que nos fazem ver as opiniões que à partida ‘pretendemos ver’. A partilha de experiências proporcionadas pelos gostos e comentários acaba por tornar a nossa experiência social num serviço automatizado e previamente controlado por um algoritmo.

A automatização das experiências sociais é uma realidade que já está a acontecer. O futuro é um sitio onde não precisa de falar para ter o que quer é só descarregar a app no smartphone ou ir às caixas automáticas no supermercado. E nem é preciso pensar muito.

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