A cidade Viseu vai ser assaltada no início do próximo ano por um carro que anda sozinho. Chama-se Viriato e, segundo a câmara municipal da cidade, será “o primeiro transporte público elétrico não tripulado em Portugal”.

O novo sistema de mobilidade vai substituir o funicular, que hoje liga a Cava de Viriato ao Centro Histórico. Dois veículos autónomos com capacidade para 24 passageiros vão fazer o mesmo percurso, numa poupança anual de 80 mil euros, segundo as contas do município.

Totalmente elétricos e, por isso, silenciosos, os Viriatos vão funcionar durante todo o dia, sem emitir diretamente gases poluentes, ao contrário do funicular, que apenas viaja durante o dia.

Movido por um motor de 60 Kw da Siemens, o veículo, com um comprimento de nove metros, viajará a uma velocidade que pode atingir os 40 quilómetros por hora.

Para se deslocar, um sensor na parte da frente do veículo fá-lo parar caso esteja demasiado próximo de um obstáculo.

"Viseu está a introduzir neste momento dois veículos elétricos para a circulação no centro histórico, está a introduzir seis veículos mini-bus para fazer todo o circuito urbano da cidade, numa cadência de 20 em 20 minutos, num e noutro sentido dos ponteiros do relógio e está a introduzir 31 autocarros de ligação às freguesias rurais, está também introduzir o transporte 'on demand', a pedido, está a introduzir a mobilidade 'light' e também tem estado a investir no âmbito da segurança pedonal", conta ao SAPO24 Almeida Henriques, presidente da autarquia.

O investimento num veículo elétrico autónomo "resultou de um acompanhamento de um projeto da TULAlabs". "Quando esse projeto chegou ao fim, apoiado pelo Compete, dissemos: 'queremos que o projeto piloto final seja feito em Viseu', isto também permitiu desde logo fixar a TULA em Viseu". É o chamado "fator de atração de investimento", indica o autarca. Antes dele, surge a necessidade de substituir "um veículo que podíamos usar de forma reduzida", o funicular. "Ruidoso, não podia funcionar durante a noite, porque passa em sítios onde as pessoas dormem, com avarias frequentes, também alguns acidentes".

Tudo ponderado, "face a uma proposta atrativa que nos foi feita", a autarquia viseense optou "por adquirir duas viaturas, num sistema de aluguer, durante oito anos, com manutenção e operação incluída", explica. "Toda esta operação vai-nos permitir ter um veículo que trabalha 24 horas por dia, sete dias por semana, sem operador, silencioso e que permite ao município de Viseu poupar 80 mil euros por ano".

"É uma equação perfeita", afirma Almeida Henriques. "Estamos a introduzir um veículo que é amigo do ambiente e que fica bem conectado no âmbito do nosso sistema de mobilidade." Para além disso, refere, "ser a primeira cidade portuguesa a ter um veículo autónomo elétrico e provavelmente uma das primeiras cidades na Europa é também um motivo importante do ponto de vista de todo o ecossistema que estamos a criar em Viseu no âmbito da inteligência urbana".

Os empregos dos atuais operadores do funicular, assegura o autarca, estão garantidos, já que passaram a operar as novas carreiras que vão nascer na cidade.

Este carro não tripulado "tem tecnologia que permite andar em qualquer estrada sem condutor", todavia, a legislação portuguesa não permite ainda que automóveis deste nível possam conviver com o restante trânsito, razão por que o Viriato ficará restrito a uma via segregada, partilhando o espaço apenas com peões, explica Jorge Saraiva, uma das mentes por trás da tecnologia ao SAPO24.

Porém, o facto de ter de transitar numa via à parte não é problema, porque essa artéria já existe. O Viriato vai substituir o funicular, que tem, segundo a autarquia, vários problemas, não apenas pelos custos de operação e manutenção, como pelo tempo que demora.

O funicular, para além de ter sempre um operador, circula sobre carris. E é nos carris que reside a principal diferença deste automóvel autónomo e do que foi o SATU, o já desativado sistema autónomo de transportes idealizado em Oeiras. Para além disso, a circulação do SATU fazia-se numa zona sem pedestre, coisa que não vai acontecer com o Viriato. Se a lei portuguesa o permitisse, este autocarro poderia andar pela cidade inteira.

Mas não é perigoso ter carros autónomos no meio da estrada? Para a autarquia viseense, não. "Para termos isto a funcionar no meio dos outros carros, há mais coisas para além das leis; há seguros, sistemas de interação com os outros carros... Ou seja, [o Viriato] tem a navegação e a capacidade de andar, agora há milhares de outras coisas que temos de trabalhar antes", diz Jorge Saraiva, responsável pela empresa de Coimbra que está por trás da tecnologia da máquina, a TULAlabs. "Diria que esse salto tem de ser feito num período de cinco anos", prevê.

A tecnologia do Viriato, que já funciona na Suíça há um par de anos, está neste momento preparada para a via segredada.

A apresentação foi feita no primeiro dia da cimeira Smart Cities, em Lisboa, e contou com a presença dos secretários de Estado José Mendes e Ana Pinho, que ficaram padrinhos da nova solução de mobilidade de Viseu.

A cimeira Portugal Smart Cities (cidades inteligentes) é organizada pela fundação AIP no Centro de Congressos de Lisboa. A iniciativa olha para temas como o ambiente e a biodiversidade; as energias renováveis e a mobilidade; o emprego e a economia sustentável.

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