As cidades portuguesas estão a apostar na inteligência urbana para mudar a forma como os cidadãos lidam com os espaços e com os serviços municipais. Maior transparência e eficácia nos processos; maior velocidade e sustentabilidade. Ao lado das propostas das ‘start-ups’, as autarquias nacionais mostram como a inovação e a tecnologia já fazem hoje parte do dia-a-dia municipal. E fazem-no da mobilidade à gestão de resíduos. Eis algumas das soluções mais interessantes já em prática nas cidades portuguesas.

Recolha de resíduos

Lisboa e Oeiras trouxeram ao Centro de Congressos de Lisboa a forma como estão a dar uma nova vida aos caixotes do lixo. Equipados com sensores e transmissores de dados, estes contentores de nova geração permitem ao município saber o nível de enchimento de cada caixote, podendo essa informação ser usada para melhorar as rotas de recolha, permitindo poupanças que, por exemplo, num piloto em Oeiras, na ordem dos 500 euros.

Na capital, a tecnologia permite já aos munícipes saber em tempo real o estado dos contentores, podendo verificar o nível de enchimento antes de se deslocar ao local — uma ferramenta útil para dias em que há grande volume.

Do outro lado do Tejo, no Seixal, a aposta na inteligência urbana passa sobretudo pela eficiência ambiental. Carros elétricos para a recolha de resíduos e soluções inovadoras para a descarbonização da baía são as propostas que o município está hoje a desenvolver.



Balcões digitais

Várias são já as soluções que permitem tratar de todo o género de assuntos camarários a partir da Internet. Oeiras, Sintra, Viseu e Águeda são alguns exemplos de cidades de diferentes dimensões que desenvolveram já plataformas avançadas que permitem fazer quase tudo a partir de casa.

Na câmara de Águeda, o urbanismo não usa papel há oito anos. Projetos, alvarás e licenças são emitidos através da internet e armazenados de forma desmaterializada, permitindo uma eficiência impossível com o papel.

Para além disso, os munícipes podem acompanhar toda a tramitação do processo, sendo, nalguns casos (como Águeda ou Sintra), notificado sempre que há alguma alteração no andamento do processo.

Mobilidade

Cascais trouxe a Lisboa toda uma plataforma de mobilidade, que vai das bicicletas ao comboio (e no futuro ao metropolitano de Lisboa). Plataformas de partilha de bicicletas e e carros, pacotes intermodais que permitem unir vários modos de transporte para as deslocações diárias são as apostas da vila que não quer ser cidade para um futuro com menos carros pessoais.

Em Abrantes, o Abusa circula pelo centro da cidade. Elétrica e gratuita, esta solução de transporte oferece aos munícipes um serviço de transporte mais sustentável.

Viseu fez a grande apresentação da cimeira, com o Viriato, um serviço de autocarros elétricos autónomos que deverá estar a funcionar no início de 2019, substituindo o funicular.

Lisboa trouxe a Gira. Um serviço partilhado de bicicletas elétricas e tradicionais, que permitem fazer a ligação entre as estações de comboio ou metro e o destino final dos lisboetas. A rede está a aumentar e faz parte das medidas para fazer da capital uma cidade para o futuro.

Gestão do espaço

O Geoportal de Oeiras permite aos diversos serviços do município ter informação precisa sobre a cidade. Uma base de dados permanentemente atualizada, com mapas a que se sobrepõem informações diversas como os acidentes de viação, as obras ou os alvarás, permite gerir o território a partir de um computador.

Com mapas de grande precisão e uma plataforma que permite ver o concelho a três dimensões com rigor suficiente para quase dispensar topógrafos, as soluções exploradas em Oeiras aliam a cartografia tradicional, os ortofotomapas, a fotografia, a medição tridimensional e a sobreposição de informação para criar um modelo multimédia e manipulável da cidade.

Dados, dados, dados

Cada vez mais municípios estão a apostar em políticas de dados abertos, disponibilizando as enormes quantidades de informação que recolhem para que terceiros possam desenvolver produtos e aplicações que façam uso desses dados para oferecer soluções inovadoras de interação entre munícipes e território.

Apps, apps, apps

Da mesma forma, muitas cidades estão hoje a desenvolver aplicações que podem ser usadas pelos munícipes para, por exemplo, alerta a autarquia de problemas da na via pública. Buracos na estrada, lixo por recolher ou árvores a precisar de manutenção são apenas alguns dos casos que podem ser reportados às câmaras de Lisboa, Oeiras ou Sintra (para falar apenas de alguns exemplos).

Depois, o cidadão tem acesso ao andamento do processo, sabendo quando é que a autarquia recebe efetivamente a informação, quando a está a resolver e quando ficou resolvida, numa política que aproxima os munícipes do poder.

Gestão de recursos humanos

Algumas soluções são menos óbvias, mas ainda assim representam medidas que acrescentam eficácia à gestão das cidades. Em Águeda os serviços de urbanismo conseguem ver quando algum projeto está a ser submetido, podendo, assim, adequar as folgas e períodos de férias dos funcionários ao volume de trabalho que se prevê.

Estes são só alguns exemplos de um vasto espólio de ideias e projetos em desenvolvimento nas cidades portuguesas. Dentro delas, pequenas e grandes empresas, universidades e politécnicos, desenvolvem outros projetos disruptivos que apresentam alternativas não apenas à forma como os autarcas gerem as cidades, mas também à forma como os cidadãos se relacionam com os territórios.

A cimeira Portugal Smart Cities (cidades inteligentes), que termina esta sexta-feira, é organizada pela fundação AIP no Centro de Congressos de Lisboa. A iniciativa olha para temas como o ambiente e a biodiversidade; as energias renováveis e a mobilidade; o emprego e a economia sustentável.

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