"Nunca há ninguém que esteja contente nos edifícios, não há ninguém que se sinta confortável neles. Ou está muito frio, ou muito calor; ou há energia desperdiçada porque estão a climatizar ou a iluminar uma sala onde não está ninguém". Foi por essa razão que Márcia, engenheira mecânica, e Ricardo, promotor de negócios, decidiram criar a Bandora e pôr os edifícios a escutar os seus utilizadores.

"Existe muito desperdício, mesmo com a proliferação dos chamados 'smart buildings' e dos edifícios totalmente interconectados", afirma Márcia. É que apesar de esses sistemas produzirem enormes quantidades de dados, essa informação não é usada para além de relatórios mensais e anuais. Depois, "com a informação gerada pelo edifício e o 'feedback' [resposta] do utilizador através da aplicação da Bandora", toda essa informação é correlacionada, gerando algoritmos de 'machine learning', análise preditiva, permitindo "otimizar em tempo real os sistemas de gestão e controlo dos edifícios existentes".

A Bandora é assim uma solução para "um ajuste perfeito do edifício de acordo com as necessidades atuais e futuras", explica Márcia Pereira em entrevista ao SAPO24 na cimeira Portugal Smart Cities, que termina esta sexta-feira em Lisboa.

Desta forma, é possível obter "poupanças de energia que vão até 40% e o conforto dos utilizadores", afirma a cocriadora do projeto. "No final, claro, a poupança financeira, que é aquilo que é desejado por um gestor de edifício".

Márcia Pereira, co-fundadora da Bandora na Portugal Smart Cities Summit 2018. créditos: Pedro Marques / MadreMedia

Na prática, a Bandora permite que, por exemplo, alguém que vá ao cinema possa comunicar ao gestor do edifício que a sala está demasiado fria, ou demasiado quente. O conjunto das reações dos espetadores permite gerir de forma adequada a climatização do espaço. "Se o 'facility manager' do edifício recolher muitos 'feedbacks' negativos, vai fazer a alteração do sistema de ar condicionado de uma forma automática, porque depois é o nosso sistema que vai devolver ordens" ao sistema do edifício.

Mas como é que se convencem os clientes a dar o 'feedback' ao sistema? "Quantas vezes entro num centro comercial e para ter internet tenho de aceder a publicidade? Podem pedir para aceder a uma página, se não quiser descarregar a aplicação, e depois dou o 'feedback' de como me sinto naquele edifício".

Já no caso de um edifício de empresas, como escritórios, por exemplo, os funcionários da empresa terão um papel fundamental na adequação do edifício à pessoa, justificando-se o uso da aplicação.

"Percebemos que se o edifício estiver totalmente adequado à pessoa e à utilização e ocupação, conseguimos atingir essas poupanças. Por outro lado, o conforto também se traduz em produtividade", conta a engenheira mecânica.

Com menos de um ano de operação, a equipa já fez a validação da hipótese, confirmando que há realmente poupanças possíveis no uso desta tecnologia para trazer poupanças na gestão do edifício. Agora, estão a desenvolver o produto, desenvolvimento que, em testes num laboratório vivo (living lab) em Matosinhos, deverá permitir ter um algoritmo pronto até ao final de 2018.

Em paralelo, querem exportar a solução para outros mercados. No final de abril, a start up vai estar em Nova Orleães, nos Estados Unidos, na cimeira de tecnologia Collision 2018, com o objetivo de angariar investimento.

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