“Estou nervoso e ao mesmo tempo muito contente. Este é um momento histórico. Lisboa recebe uma trufa branca, uma das maiores da década. Para a minha carreira é muito importante”, começou por dizer Tanka Sapkota aos jornalistas, antes de destapar a trufa tratada.

Tanka Sapkota escusou-se a revelar o preço da iguaria, avançando, apenas, que só podia dizer que tinha investido “uma parte das suas poupanças”, mas que tudo compensava porque o seu restaurante é “uma referência para a trufa branca” e, como tal, tinha de comprar, pois trabalha há muitos anos” com o produto.

“Não foi fácil chegar a trufa às minhas mãos. Há muita procura, em 2010 e 2012 quando fui para Alba [Itália] disse aos meus amigos e caçadores de trufa que me avisassem quando surgisse uma deste género que eu compraria”, contou.

O 'chef' nepalês explicou que a mensagem de que tinham encontrado a trufa lhe chegou por 'WhatsApp', pelas oito da manhã. Mal tinha acordado e de imediato perguntou à mulher, que lhe pediu para pensar. Em poucos segundos, explicou Tanka Sapkota, decidiram comprar: “era a oportunidade de uma vida”, disse.

O 'chef' explicou ainda que depois da compra e pagamento ainda teve “algumas complicações” que se resolveram graças aos amigos, os caçadores de trufas tiveram “o dobro da minha oferta, mas consegui trazê-la para Lisboa”.

O segredo para uma boa trufa é, segundo o 'chef', “ser o mais fresca possível” e ser usada “nos pratos simples”, considerando que a iguaria não precisa de “qualquer segredo, precisa de matéria prima boa e simplicidade”.

“A trufa só por si vale muito”, frisou, acrescentando: “todos os pratos são simples, a trufa não precisa de segredo, precisa de matéria prima boa e simplicidade”.

Tanka Sapkota lembrou ainda que na sua cozinha utiliza produtos nacionais, frisando que o azeite português “nada fica a dever ao de Espanha ou de Itália”, ou o vinho que “não é nada menos bom que o francês, italiano ou espanhol”.

“É preciso enaltecer e promover os produtos nacionais”, referiu.

Para o 'chef' nepalês, a “combinação entre produto/trufa quando mistura sabores, a pessoa fica sem saber nada do que se passa [na sua boca], a harmonia, por exemplo, entre ovo (cozido a baixa temperatura) e trufa não é explicável, é fabulosa”.

Há duas décadas e meia que o 'chef' nepalês trabalha com o produto que é considerado uma iguaria gastronómica pelos variados 'chefs' nacionais e internacionais, facto que lhe valeu ser agraciado com o título de “Cavaleiro das Trufas de Alba e dos Vinhos de Alba”, no passado dia 10 de novembro.

Radicado em Portugal desde 1992, o restaurante de Sapkota é reconhecido por trabalhar este produto, servindo todos os anos aos seus clientes, o que faz do nepalês um dos 'chefs' de referência na área da trufa branca em Portugal.

“Em 2007, muito poucas pessoas podiam comer trufa [pelo seu preço] e eu decidi que ia fazer de forma a mais pessoas puderem provar. Não peço 200 ou 300 euros, por 35 euros podem provar os pratos de trufa. Vale a pena experimentar uma vez, vale mesmo a pena”, reiterou, lembrando que há dias em que já não há vagas no seu restaurante, mas que ainda é possível reservar um lugar nas próximas duas semanas.

Hoje, dia em que Tanka Sapkota apresentou a trufa à comunicação social, preparou vários pratos e convidou alguns amigos, entre os quais os 'chefs' Miguel Laffan, do restaurante L'AND (uma estrela Michelin), Alexandre Silva, do LOCO (também uma estrela Michelin) ou Miguel Castro e Silva, para degustar alguns pratos em que a estrela foi a trufa adquirida em Alba.

A trufa branca é um fungo que não pode ser cultivado e não é visível porque nasce na terra e só pode ser encontrada com a ajuda de “caçadores”, muitas vezes ajudados por cães treinados, estando, normalmente, a cerca de 20 ou 30 centímetros.

Trata-se de um produto de valor elevado de compra, tendo o magnata Stanley Ho adquirido uma trufa branca de 1,5 quilogramas com uma licitação de 219 mil euros, sendo uma relíquia em qualquer cozinha.

A última vez que houve uma trufa branca de elevadas dimensões em Portugal foi em 2016, comprada pelo chef Ljubomir Stanisic, com 618 gramas. Na altura foi avaliada em mais de 30 mil euros.

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