Passam duas décadas da Expo98, a exposição internacional que inaugurou uma nova vida da zona oriental de Lisboa, mas também da cidade e do país. Mais de 10 milhões de pessoas passaram pelo que é hoje o Parque das Nações, tantas quanto a população de Portugal. E para cada uma delas, a Expo foi uma coisa diferente.

Para contar a história de um evento destes, é preciso saber como o viveram as pessoas que nele passaram. Para recuperar essas memórias o SAPO24 vem pedir ajuda aos leitores. Uma visita de estudo? Uma excursão associativa? Uma viagem de família? De autocarro, comboio, carro pessoal ou táxi? Um dia, dois dias, todos os dias? A pergunta: como foi a sua Expo?

Queremos ouvir as suas histórias. Queremos que nos conte o que achou dos vulcões, das lontras no Oceanário, dos repuxos no Pavilhão da Suíça, do calor e dos jardins. E queremos também que nos mostre: as fotos de família, as fotos de grupo, os retratos que ainda não se chamavam ‘selfie’.

Envie as suas histórias e imagens por email, para 24@sapo.pt, ou para a morada: Av. Fontes Pereira de Melo, n.º 32, 1069-219 Lisboa.

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O que foi a Expo?

Visitada por mais de 10 milhões de pessoas, entre os dias 22 de maio e 30 de setembro de 1998, a Expo98 deixou como heranças, para além da regeneração de 25 hectares de cidade, cinco pavilhões, os chamados pavilhões temáticos: Pavilhão de Portugal, da Utopia, do Futuro, do Conhecimento dos Mares e o Oceanário.

Destes, apenas o ex-libris da exposição — o Pavilhão de Portugal, polémico desde o início graças à sua pala, desenhada pelo premiado arquiteto Siza Vieira — continua sem funções específicas (por estes dias, debaixo da pala, aloja uma tenda de apoio à Eurovisão).

O Pavilhão do Futuro, que durante a exposição foi subordinado ao tema "O Futuro dos Oceanos", é hoje o Casino de Lisboa, enquanto o Pavilhão do Conhecimento dos Mares, que recebeu 2.543.914 visitantes durante a Expo98, é hoje um espaço de divulgação da ciência, tendo a designação de Pavilhão do Conhecimento - Ciência Viva.

O Pavilhão da Utopia é hoje a maior sala de espetáculos do país e tem acolhido os maiores eventos musicais. Com uma capacidade para 12.500 pessoas, é hoje a Altice Arena e apresenta uma agenda recheada durante todo o ano, com destaque, este ano, para o maior espetáculo musical da televisão.

Talvez o mais emblemático dos pavilhões, o Oceanário continua a receber milhares de visitantes por ano. Tal como durante a Expo98, este aquário gigante apresenta exposições e mostra a vida marinha.

O Teatro Camões, propriedade do Ministério da Cultura, permanece como sala de espetáculos.

A Torre Vasco da Gama, após ter acolhido o pavilhão da Comissão Europeia durante a Expo98 e ter tido um restaurante, é agora um hotel de luxo. O teleférico também ainda funciona.

Na antiga Porta do Oriente da Exposição, funciona hoje o Centro Comercial Vasco da Gama, mesmo junto à Gare Intermodal de Lisboa (GIL), a famosa obra do arquiteto Santiago Calatrava.

Sem o brilho que teve durante a exposição encontra-se o Edifício Nau, junto à marina e que durante a Expo98 acolheu restaurantes famosos como o Peter’s (que serve um afamado gin tónico) ou o Nobre.

Outros símbolos da exposição permanecem no recinto, como os famosos vulcões de água que foram cenário de milhões de fotografias durante o tempo da Expo98 e que fizeram as delícias dos visitantes mais encalorados, protagonizando ainda algumas quedas.

Entre as memórias da Expo consta um memorial aos trabalhadores que perderam a vida na construção da exposição.

A Expo98 foi visitada por 9.637.451 pessoas, entre 22 de maio e 30 de setembro de 1998. Só no último dia da exposição, visitaram o recinto 200 mil pessoas.

Foram estes 200 mil que, no último espetáculo noturno (Acqua Matrix) da exposição, que marcou o seu encerramento, cantaram a plenos pulmões um hino nacional emocionado. A palavra "Portugal" foi gritada com orgulho e em uníssono. O feito só voltou a acontecer seis anos depois, durante o Europeu de Futebol (Euro 2004).

O evento foi inicialmente alvo de críticas e algum ceticismo. As alegadas derrapagens nas contas da Expo motivaram protestos da oposição. Dos portugueses, a exposição mereceu algumas queixas, como por exemplo contra a proibição de levar lancheiras para o recinto.

Os altos preços que o setor da restauração praticou também não foram bem vistos pelos visitantes que elogiaram, contudo, a boa manutenção do recinto e de instalações como as sanitárias, o que até então era raro em Portugal.

Esta zona oriental da capital foi uma verdadeira passadeira vermelha de ilustres, reis e rainhas e outros notáveis.

Só no dia da inauguração (21 de maio de 1998), passaram pela Expo98 mais de 3 mil convidados, entre os quais o príncipe Aga Khan, os presidentes do Brasil, Alemanha, São Tomé e Príncipe, Cabo Verde e Guiné-Bissau, os primeiros-ministros da Namíbia, Costa do Marfim e Angola, o príncipe herdeiro de Marrocos e o presidente da Comissão Europeia. Também o rei Juan Carlos e a Rainha Sofia marcaram presença.

A partir desse dia, o recinto acolheu dezenas de visitas de representantes do Governo português. António Costa, que era ministro dos Assuntos Parlamentares e tinha a tutela da Expo98, foi o campeão das presenças, contabilizando 38.

Jorge Sampaio, como Presidente da República, e António Guterres, como Primeiro-Ministro, estiveram lá 20 vezes.

Mariano Gago (ministro da Ciência) visitou oficialmente 14 vezes a Expo98, Manuel Maria Carrilho (ministro da Cultura) 12, João Cravinho (ministro do Equipamento, Planeamento e Administração do Território) nove vezes, Vera Jardim (ministro da Justiça) oito vezes e José Sócrates (ministro adjunto do Primeiro-Ministro) sete.

A exposição teve como objetivo celebrar o quinto centenário da chegada de Vasco da Gama à Índia. Coube a Jorge Sampaio, enquanto Presidente da República, dar as boas-vindas aos visitantes. Às 18:18 de 22 de maio, o então chefe de Estado declarava "com muita honra e alegria" aberta a Exposição Internacional de Lisboa de 1998.

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