Um crime, três vizinhos e um podcast

Não é muito comum, mas existem séries que nos primeiros minutos conseguem criar logo um efeito de que algo de bom vem dali. A experiência de ver um primeiro episódio costuma ser gira porque, por um lado, sabemos que os criadores da série nos querem agarrar para um segundo episódio e, por outro, não queremos propriamente esperar pela última cena de um episódio de 40 minutos para decidir se o conteúdo vale ou não o nosso tempo.

“Only Murders In The Building”, que estreou recentemente no Disney+, foi uma experiência peculiar para mim. Não fazia a menor ideia sobre qual seria a história, mas a forma como as três personagens principais se apresentam, através de um monólogo, a andar pelas ruas de Nova Iorque, criou uma sensação qualquer de que algo de bom podia vir dali. E de facto vinha.

Charles (Steve Martin), Oliver (Martin Short) e Mabel (Selena Gomez) têm, à primeira vista, apenas uma coisa em comum: o facto de morarem os três no Arconia, um condomínio de apartamentos de luxo no centro de Nova Iorque. Charles é um ator da velha guarda que, depois de ter protagonizado uma série policial de sucesso nos anos 90, não voltou a encontrar fama semelhante. Oliver é um diretor de teatro cheio de dívidas (com 8 meses de condomínio em atraso), que há anos procura a sua próxima grande peça. Mabel é uma jovem millennial, sem um emprego propriamente dito, mas que descobrimos que vive no Arconia porque está a renovar o apartamento que a tia tem lá. Portanto, além de “olás” e “bons dias” no elevador, nada mais ligava as suas vidas.

No entanto, quando um alarme é ativado e os residentes do Arconia são obrigados a evacuar o edifício, os três acabam por se juntar no mesmo café e descobrir que também partilham uma paixão: um podcast de true crime que seguem religiosamente e cuja audição tinha sido interrompida pelo dito alarme. Após discutirem mistérios, partilharem teorias sobre o que poderá ter acontecido e de se conhecerem melhor, decidem regressar a casa e perceber o que tinha acontecido.

Um outro vizinho, com quem tinham partilhado uma viagem de elevador uns momentos antes, tinha-se suicidado e a polícia estava agora a recolher as primeiras provas. Levados pela emoção do true crime, os três suspeitam que poderá ter sido um homicídio e decidem fazer a sua própria investigação. Pelo meio, encontram conteúdo para começar o seu próprio podcast criminal chamado… “Only Murders in the Building”. Eu sei, era difícil de adivinhar.

A série está muito bem escrita e filmada e eu gosto que haja um suspense constante não só em relação à resolução do crime, mas também naquilo que cada uma das personagens principais espera tirar daquilo que estão a fazer. Para umas pode ser relançar uma carreira ou puro entretenimento, para outras pode ser uma ligação mais profunda ao caso de que ninguém suspeita. Porque é importante não esquecer: isto são três pessoas, que não se conhecem muito bem, que decidem só acompanhar um crime sobre o qual não têm muita informação e gravar um podcast, tentando encontrar empatia e uma conexão que demoram tempo a acontecer.

Posso estar enganado, mas penso que esta vai ser uma daquelas séries que, quando os episódios finais se aproximarem, já toda a gente vai estar colada ao ecrã.

Podcast Acho Que Vais Gostar Disto

Não somos um podcast de true crime, mas também somos três pessoas que sabem discutir temas complexos. Não resolvemos crimes, mas resolvemos outro tipo de enigmas de igual importância como, por exemplo, o que deves ouvir enquanto estás a aspirar a casa.

No divórcio dá para rir e para chorar, e no episódio mais recente do nosso podcast falámos com o David Cristina e a Ana Garcia Martins (aka “A Pipoca Mais Doce), autores do podcast “Separados de Fresco”, que se vai transformar agora numa série de espetáculos ao vivo de norte a sul do país. E, claro, perguntámos o que andavam a ver, ler e ouvir.

Como é que os The Beatles faziam música?

Esta vai ser uma recomendação curtinha, até porque para contar a história do senhor que está nela destacado tinha de alocar as próximas 200 edições do Acho Que Vais Gostar Disto.

Existem vários documentários sobre os The Beatles. Sobre os álbuns que produziram, sobre a sua origem e sobre aquilo que os levou a separarem-se, depois de uma década marcada por sucessos atrás de sucessos. Então, o que me leva a falar sobre eles?

A minissérie “McCartney 3,2,1”, cujos seis episódios foram recentemente lançados no Disney+, utiliza um registo que não é bem um documentário, mas que permite descobrir histórias sobre a banda inglesa e sobre os seus membros que, de outra forma, talvez não surgissem. A premissa é muito simples: pegar em Paul McCartney e no famoso produtor Rick Rubin, juntá-los num estúdio, pôr músicas a dar e esmiuçar o que esteve por detrás de um acorde ou de uma melodia. E filmar a preto e branco, claro, para criar mais emoção.

Não há propriamente uma cronologia ou um grande fio condutor, mas para quem é fã de The Beatles, ou de música no geral, é uma forma gira de mostrar aquilo que está por detrás de um processo criativo, mesmo quando falamos da “melhor banda de sempre”: pessoas e boas histórias.

Créditos Finais

  • Álbum da semana. Esqueçam o Donda ou Certified Lover Boy. Este é provavelmente o melhor álbum do ano até agora.

  • The Wire. Morreu Michael K. Williams, o ator que fazia de Omar Little na série. Relembra aqui algumas das suas melhores cenas.

  • Trailer. A última temporada de "Lucifer" estreia esta sexta-feira.

  • Espalhar a palavra. A nossa leitora Sofia Ramos tem um blog muito catita e com um design quase tão bom como esta newsletter. Dêem uma vista de olhos.

  • MotelX. Um dos principais festivais de cinema em Portugal começou esta terça-feira com um programa recheado de bons filmes de terror. Vê aqui o cartaz.

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