“Enda Walsh é um amigo nosso, de quem já fizemos cinco peças, uma escrita para nós [Artistas Unidos], e esta é uma peça que está editada por nós [na coleção Livrinhos de Teatro, numa tradução de Joana Frazão], e dei-me conta de que está connosco a atriz Isabel Muñoz Cardoso, que tem a idade para fazer uma das personagens”, disse à agência Lusa Jorge Silva Melo, que encena aquela peça.

“O novo dancing elétrico” estreia-se na quarta-feira, no Teatro da Politécnica, em Lisboa, com Isabel Muñoz Cardoso, Andreia Bento, Antónia Terrinha e Pedro Carraca, com cenografia e figurinos de Rita Lopes Alves, e iluminação de Pedro Domingos.

A peça conta a história de três velhas irmãs, que vivem numa remota aldeia piscatória e "continuam obcecadas pelas negras memórias de uma coisa que parece ter sido um romance", dos tempos felizes que passaram no Novo Dancing Elétrico.

O encenador comparou a situação dramática à “Casa de Bernarda Alba”, de Federico García Lorca.

“É como se fossem as filhas de Bernarda Alba, na Irlanda, fechadas numa casa, o tempo já parou para elas, ficaram fechadas numa aventura sexual que tiveram aos 18 ou aos 19 anos, e nada mais aconteceu”, disse.

“Os meus atores andam a envelhecer, como quase todos nós, e, de repente, dei-me conta de que tenho atores capazes de fazer aquelas mulheres isoladas, sozinhas abandonadas, presas na sua própria memória", disse Silva Melo.

O encenador admitiu que gosta de trabalhar este “ambiente de clausura, de fechamento que o Enda Walsh inventa para as suas personagens”.

As personagens – três mulheres que trabalham na indústria conserveira, numa aldeia algures na costa da Irlanda - “estão quase sempre fechadas, há uma porta ao fundo, mas [elas] não se escapam, e têm uma espécie de prisão voluntária”.

A peça, realçou o encenador, tem um interesse especial, pois coloca em evidência três mulheres - “Enda Walsh quase nunca escreve sobre mulheres”, recordou -, e surgiu a partir de uma encomenda feita por um teatro de Munique, na Alemanha.

“A grande surpresa aqui são as mulheres, pois aqui encontramos o feminino no Enda Walsh, o desejo sexual, não no masculino, mas no feminino”, enfatizou.

“’O novo dancing elétrico’ é uma cintilante fábula espiriforme sobre as histórias que vêm a definir-nos”, remata em comunicado os Artistas Unidos.

O grupo está apreensivo quanto ao futuro, pois este ano termina o apoio quadrienal da Direção-Geral das Artes e não sabe ainda o que virá a seguir.

Em fevereiro, vence o contrato com a Universidade de Lisboa, quanto à ocupação do Teatro da Politécnica, no Príncipe Real.

“Estamos num suspense um pouco entediante, sem sabermos o que nos está reservado”, apesar de os Artistas Unidos estarem já a preparar produções para o próximo ano, como o encenador adiantou à Lusa.

Quanto à sala, “já pedimos a renovação do contrato, mas ainda não recebemos qualquer resposta”, disse Jorge Silva Melo.

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