Sergio: Entre Timor-Leste e o Iraque, uma história de amor 

Na passada terça-feira (21 de Abril), a Netflix anunciou os seus resultados para o primeiro trimestre de 2020 e, sem surpresas, digamos que... foram bons. Entre janeiro e março deste ano, incluindo o período de isolamento social generalizado à volta do mundo, a plataforma de streaming ganhou mais 16 milhões de subscritores passando agora a ter 182 milhões de pessoas a pagar para poder utilizar o seu serviço regularmente.

Embalado pelos resultados, decidi contribuir para ser um utilizador ativo e vi o filme “Sergio”, realizado por Greg Barker e protagonizado por Wagner Moura (Narcos e Tropa de Elite) e Ana de Armas (Knives Out). “Sergio” conta a história real de Sérgio Vieira de Mello, o carismático diplomata brasileiro da ONU, que ficou famoso pela sua resolução de conflitos políticos e humanitários internacionais, durante os 34 anos em que trabalhou na organização.

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  • Quem é Sérgio? Este biopic dá especial atenção às duas últimas missões em que Vieira de Mello, a quem Wagner Moura dá corpo e voz, esteve envolvido: uma próxima da realidade portuguesa, em Timor-Leste, onde apoiou a formação do governo liderado por Xanana Gusmão, e outra no Iraque, durante a ocupação americana que sucedeu os ataques às Torres Gémeas a 11 de setembro de 2001.
  • E a personagem da Ana de Armas? É Carolina Larriera, uma economista argentina formada em Harvard, que também foi também designada pela ONU para a missão em Timor-Leste, onde ela e Sérgio se conheceram e apaixonaram. O desenvolvimento da sua relação acaba por ser igualmente um dos focos principais do filme, com destaque para os seus diálogos em três línguas diferentes: português, inglês e espanhol (e é difícil não imaginar Pablo Escobar quando Wagner Moura fala em espanhol)
  • Flashbacks: A narrativa do filme tem como momento central o atentado provocado pela Al-Qaeda ao Hotel Canal, sede da ONU no Iraque, na qual Sérgio fica preso nos escombros originados pela explosão e, entre as alucinações provocadas pelos seus ferimentos, aproveita para revisitar algumas das suas memórias e momentos que o levaram ali.
  • Há 10 anos, um documentário: o realizador do filme, Greg Barker, já tinha dirigido um documentário sobre Sérgio Vieira de Mello, produzido para a HBO em 2009, mas sentiu a necessidade de revisitar a história, por achar que tinham ficado detalhes por explorar (agora também está na Netflix).

Um Bar Mitzvah, um Crowdfunding e uma música com Leonardo DiCaprio

A criação de séries com base numa versão de fictícia ou exagerada de figuras reais não é uma novidade em televisão. O comediante Jerry Seinfeld pode ser considerado como o pioneiro do género, com a mestria que todos reconhecemos nas nove temporadas de Seinfeld.

Avançando para 2020, Dave é o exemplo mais recente deste tipo de universos. A série da HBO acompanha o rapper Dave Burd aka Lil Dicky, que tem dificuldade que as pessoas o levem a sério na indústria musical. Primeiro, ao contrário da maior parte dos rappers, Dave não vem de um contexto social complicado, vem de uma família judia da classe média-alta de Filadélfia. Segundo, Dave não teve de ser descoberto por uma editora, em vez disso, gastou todo o dinheiro do seu bar Mitzvah na produção de vídeos para o YouTube na tentativa que a sua música se tornasse viral. Terceiro, ao contrário do ritmo frenético associado à vida de músico, Dave é um homem caseiro e partilha a sua vida com a namorada Ally, uma professora numa escola primária.

Os nove episódios disponíveis, além de terem o tom cómico característico de Lil Dicky, aproveitam para abordar temas mais sérios sobre como ultrapassar problemas de intimidade, lidar com distúrbios de personalidade e as vicissitudes da indústria da música, num mundo em Dave tem que lidar com editoras, com outros músicos e com fãs nas redes sociais.

Algumas curiosidades sobre Lil Dicky (o do mundo real, não o da série):

  • Tudo começou na publicidade: antes de ingressar no mundo das rimas, Dave era um “mad man” e trabalhava numa agência de publicidade em São Francisco. Esteve diretamente envolvido na criação desta campanha da NBA.
  • Quando a comédia não dá: o rapper afirma que começou a fazer música porque a sua carreira enquanto comediante não estava a ir a lado nenhum e que foi a única maneira de chamar a atenção de pessoas e poder fazer os filmes e séries que sempre sonhou.
  • Digno de crowdfunding: em 2013, Lil Dicky lançou uma música por semana durante cinco meses. Quando ficou sem dinheiro, pediu ajuda aos seus fãs para angariar 70.000 dólares para continuar a produzir música. Acabou a receber 113.000 dólares.
  • Apenas um álbum de estúdio: Professional Rapper, lançado em 2015, contou com colaborações de artistas como Snoop Dogg e Brendon Urie, vocalista dos Panic At The Disco.
  • Salvar o ambiente com Leonardo DiCaprio: em 2018, Lil Dicky lançou a música “Earth” em parceria com a fundação do ator americano (que até entrou no videoclipe), para promoção de práticas mais amigas dos ecossistemas.

Temos aniversários musicais 

Há 14 anos, os Arctic Monkeys lançavam o EP “Who The F*** Are The Arctic Monkeys”. 

  • A banda inglesa lançou este disco três meses depois de lançarem Whatever People Say I’m Am That’s What I’m Not, o álbum que marcou a sua chegada e que se tornou na altura o álbum de estreia com mais vendas na semana de estreia, no Reino Unido.
  • 19 minutos, 5 músicas: o single “The View From The Afternoon”, “Cigarette Smoker Fiona”, “Despair In The Departure Lounge”, “No Buses” e “Who The F*** Are The Arctic Monkeys”.

Primeiro álbum dos Moonspell “Wolfheart” saiu há 25 anos

  • Aquela que é uma das bandas portuguesas mais famosa em palcos internacionais lançou o seu primeiro álbum a 24 de abril de 1995. Das nove músicas que compõem Wolfheart, apenas duas não são em inglês.
  • A partir de 2010, o álbum passou contar com o carimbo oficial dos CTT, para marcar momentos importantes da história do rock português.

Créditos Finais

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