Entre 25 de agosto e 11 de setembro, o Parque Eduardo VII torna-se o epicentro literário de Lisboa. Com 140 editores e livreiros distribuídos por 340 pavilhões ao longo da subida ajardinada, há muito por onde escolher. Mas não só.

Como tem vindo a ser hábito, este evento da Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (APEL) conta com uma longa e variada programação cultural e de lazer. De acordo com Pedro Sobral, presidente da APEL, há já quase 2000 eventos programados para os 18 dias de feira, e é possível que mais sejam adicionados, arriscando-se a ultrapassar o recorde de 2019.

Com tanto por assistir e experienciar, o SAPO24 apresenta-lhe alguns dos eventos que não pode perder — com base na informação disponibilizada até à data —, assim como dicas de como pode aproveitar ao máximo a Feira.

Como poupar a carteira mas não a estante

Sendo esta uma feira literária, comece-se pelo óbvio: a compra de livros. Por norma, o PVP do catálogo trazido pelas editoras durante o evento já é mais baixo do que na venda ao público, ou seja, estará sempre a adquirir mais barato.

No entanto, há duas iniciativas distintas que tem mesmo de ter em conta quando vem à Feira do Livro de Lisboa:

  • Livro do Dia

Ao longo de toda a duração do evento, as editoras escolhem um ou mais livros por dia para um desconto especial, ainda maior que o PVP da feira. A grandeza do desconto fica ao critério de cada vendedor — alguns livros têm desconto de 20%, outros de 50%. Pode consultar a lista (quase) completa aqui.

Tenha, no entanto, em conta que algumas editoras não disponibilizaram os dados para o site oficial, sendo prudente consultar as suas redes sociais para consultar o calendário de livros do dia.

  • Hora H

Um dos ex-libris da feira, a Hora H decorre entre as 21:00 e as 22:00, período em que as editoras colocam à venda livros com descontos mínimos de 50%.

Há, todavia, três pormenores a ter em conta:

    • A Hora H decorre apenas de segunda a quinta-feira, ou seja, não ocorre nos dias 26, 27 e 28 de agosto, nem nos dias 2, 3, 4, 9, 10 e 11 de setembro.
    • Não é uma iniciativa universal a todas as editoras, apenas às aderentes. Consulte a lista completa aqui.
    • Houve uma alteração da edição passada para a deste ano: com a mudança do regime da Lei do Preço Fixo do Livro, apenas os livros publicados há mais de 24 meses podem ser sujeitos aos descontos da Hora H. No passado, o limite era de apenas 18 meses.

Um último conselho quanto à Hora H: acontecendo mesmo antes do fecho da feira, às 22:00, é comum gerarem-se longas filas. Se fizer de antemão uma lista do que pretende comprar, é capaz de reduzir o tempo gasto em cada expositor e visitar mais bancas.

Uma armada espanhola entre o contingente internacional

Se escolher ao calhas assistir a um convidado internacional na edição deste ano da Feira do Livro de Lisboa, o mais provável é que ouça falar espanhol.

São vários os autores que se deslocam à capital portuguesa vindos do outro lado da fronteira. Rosa Montero, jornalista e escritora agraciada com o Prémio Nacional das Letras Espanholas, vem para uma conversa com Ana Galvão (25 de agosto). A radialista vai receber também Elena Medel, galardoada com o Prémio Francisco Umbral em 2020 (9 de setembro), a uruguaio-espanhola Carmen Posadas (10 de setembro) e o seu irmão, Gervasio Posadas (7 de setembro).

O escritor espanhol Miqui Otero também vai comparecer para uma conversa com o jornalista José Mário Silva sobre o romance "Simón" (3 de setembro), assim como Irene Vallejo, que vai desdobrar-se em várias iniciativas. A 10 de setembro, a autora do multipremiado "O Infinito num Junco" apresenta o seu mais recente livro, "O Silvo do Arqueiro", e também participa numa conversa com Francisco Louçã e Pilar del Río a propósito da apresentação de "A Intuição da Ilha - Os Dias de José Saramago em Lanzarote". E ainda se vai juntar a um painel de luxo, mas já lá iremos.

Outro dos grandes destaques desta feira é a presença de Richard Zenith, autor de "Pessoa. Uma Biografia", finalista do Prémio Pulitzer 2022. O Prémio Pessoa, norte-americano radicado em Portugal desde os anos 80, conversa sobre a vida e obra do grande poeta com os investigadores Manuela Parreira da Silva e Pedro Sepúlveda (4 de setembro). Também originário dos EUA, o escritor, crítico literário, editor e poeta John Freeman vem à Feira para o lançamento do livro "Dicionário da Erosão" (6 de setembro), tal como a sueca Camilla Grebe, vencedora de vários prémios pelos seus policiais nórdicos, que conversa com João Tordo sobre "O Gelo Sob os Seus Pés", o primeiro livro da autora publicado em Portugal (10 de setembro).

Lisboa recebe ainda realeza britânica — e justamente no Parque Eduardo VII, assim batizado em nome do monarca inglês. A Duquesa de York Sarah Ferguson vem apresentar o seu romance "Onde Me Leva o Coração" e vai autografar exemplares. A propósito, algumas autoras internacionais, não participando em debates ou conferências, estarão no Parque Eduardo VII para sessões de autógrafos. É o caso das escritoras britânicas de policiais Cara Hunter (27 de agosto) e Sarah Pearse (3 de setembro) e da brasileira Tatiana Salem Levy (11 de setembro). 

As conversas que não pode deixar de ouvir

Nem só de leitura se faz este evento — cultua-se a palavra escrita, sim, mas a falada assume igual importância. São tantos os debates, conferências, tertúlias e apresentações que é fácil perder-se. Estas, porém, são as iniciativas a que não pode mesmo faltar.

  • A 28 de agosto, vai ser gravado ao vivo o podcast "Atualizar a História", dos historiadores Paulo M. Dias e Roger Lee de Jesus, que também têm um livro do mesmo nome;
  • A 31 de agosto, Marcelo Rebelo de Sousa desloca-se à feira para apresentar o novo livro do fotógrafo Alfredo Cunha, "Rua do Anjo";
  • A 1 de setembro, o escritor e advogado João Marecos convida a escritora Ana Bárbara Pedrosa e o ator e encenador Guilherme Gomes, para uma conversa: "Fernando Pessoa na era das redes sociais: heterónimos, fingidores e amigos imaginários";
  • A 2 de setembro, há programação especialmente dedicada aos 50 anos de "Novas Cartas Portuguesas", de Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa;
  • A 3 de setembro, dá-se a emissão do podcast "Bangcast" com apresentação do livro "Assim Falou a Serpente", 2º volume de "As Aventuras de Benjamim Tormenta Detetive do Oculto", contando com a participação do autor Luís Corte Real, Bruno Martins Soares e Luís Filipe Silva;
  • A 7 de setembro, dá-se o lançamento do livro "Palestina", do famoso desenhador e jornalista político Joe Sacco, contando com a participação de Daniel Oliveira e Sandra Monteiro;
  • A 8 de setembro, Lídia Jorge e Mário Cláudio têm uma conversa moderada por Pedro Mexia sobre William Faulkner e Herman Hesse, 60 anos depois do desaparecimento dos dois grandes vultos da literatura universal;
  • A 9 de setembro, será organizada uma homenagem a Ana Luísa Amaral. A escritora, tradutora e professora universitária será evocada por amigos e leitores, através de leituras da sua obra;
  • A 10 de setembro, Filipa Fonseca Silva, Dulce Garcia e Maria Francisca Gama discutem o tema “Ser escritora em Portugal: quais os maiores desafios para uma mulher?”;
  • A 11 de setembro, Irene Vallejo — novamente ela — participa na discussão do” Manifesto pela Leitura”, sendo acompanhada por um elenco de peso, em que constam João Tordo, Nuno Caravela, Raquel Varela, Tânia Ganho e Teolinda Gersão, com a moderação de Pedro Vieira.

Esta é apenas a “ponta do iceberg” —  pode consultar a agenda completa aqui.

Yoga, cozinha e música — o outro lado da Feira

Além da componente literária, a Feira do Livro de Lisboa tem no seu programa outras atividades mais “fora da caixa” e ligadas ao lazer.

Como disse o presidente da APEL, Pedro Sobral, à agência Lusa, há “múltiplas zonas de descanso e lazer, esplanadas, instalações sanitárias e zonas/equipamentos de restauração - distribuídos de forma dispersa ao longo da Feira do Livro”, bem como o espaço RefresCão, que disponibiliza água fresca para os animais de companhia.

Ao longo do evento, vai ser possível fazer um workshop de plantas aromáticas ou de marketing digital, observar planetas através de telescópios e com a ajuda de astrónomos e até participar numa sessão de yoga com a fadista Cuca Roseta nos jardins do Parque Eduardo VII.

Além disso, o showcooking volta a marcar presença. Joana Barrios, Chakall, Rúben Pacheco Correia e Fábio Gomes, que ganhou protagonismo no concurso televisivo MasterChef, apresentam receitas da sua autoria ao vivo e a cores.

Esta edição dará ainda espaço à música para ecoar no parque lisboeta, com atuações ao vivo de Surma, Bia Maria e Benjamin, entre outros.

Uma feira amarela e azul

Por fim, outra grande novidade deste ano é a presença da Ucrânia na feira, como país convidado.

“Vamos ter livros em ucraniano, uma série de manifestações culturais que vão desde ilustradores a escritores ucranianos no expositor da Ucrânia, que já estão confirmados”, realçou Pedro Sobral. “Por isso, a ideia inicial de dar este espaço à cultura da Ucrânia, aos escritores e aos editores ucranianos, também se está a tornar uma realidade”, acrescentou.

O pavilhão D90 será o local onde passarão os livros de autores ucranianos, quer trazidos pela própria embaixada da Ucrânia, quer cedidos por outros participantes da feira. O objetivo, segundo a organização, é “dar visibilidade à riqueza cultural e editorial do país e demonstrar a solidariedade com o povo ucraniano, que atravessa um dos períodos mais negros da sua história”.

Outro dos eventos já confirmados é a exibição de filme ucraniano "Donbass" de Sergei Loznitsa, apresentado em 2018 no Festival de Cannes, a 3 de setembro.

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