O programa da iniciativa Dias do Desassossego’18, que decorre a partir desta sexta-feira, data de nascimento de José Saramago, e encerra no dia 30, dia da morte de Fernando Pessoa, une a Casa Fernando Pessoa e a Fundação José Saramago, na organização, entre duas datas, de uma programação cultural em torno dos dois escritores, que este ano, pela primeira vez, ultrapassa as fronteiras de Lisboa e chega à cidade do Porto.

Outra novidade do programa deste ano é a existência de linguagem gestual nas visitas guiadas e nas mesas-redondas.

A iniciativa abre hoje com o concerto do grupo El Sur, na Fundação José Saramago, na data do 96.º aniversário do escritor, com música inspirada nas zonas portuárias, montanhas mapuche e planícies de Zapata, e na poesia de algumas das “almas maiores” da América do Sul, como Victor Jara, Violeta Parra, Viglietti ou Guillén.

O segundo dia começa na Casa Fernando Pessoa com a “Oficina do Silêncio”, que cruza poesia e ciência, através de livros e desenhos que levam os mais pequenos a “mergulhar” até mil metros de profundidade e encontrar no silêncio do fundo do mar, pequenos seres vivos luminosos que formam pequenos pontos de luz na escuridão, disse a responsável por esta iniciativa, Marina Palácio.

No mesmo dia, da parte da tarde haverá uma leitura-concerto de “Poemas espirituais de Oriente a Ocidente”, por Cristina Alfaiate, com música de Norberto Lobo, na Igreja de Santa Isabel, que tem no seu interior um céu, resultado de um projeto do artista Michael Biberstein.

João Barrento, responsável pela escolha dos poemas que vão ser lidos, explicou que começa com alguns místicos medievais e vai-se estendendo até à atualidade – a poetas como José Tolentino Mendonça, Emily Dickinson, Fernando Pessoa ou Ruy Belo – com obras que “transcendem a categoria de misticismo, mas que abarcam um sentido amplo da espiritualidade”.

No domingo, a iniciativa “Lisboa, onde o mar se acaba e a terra espera” convida a um passeio literário pelos lugares do romance “O ano da morte de Ricardo Reis”, traçando um paralelo entre literatura e História, passado e presente, Saramago e Pessoa, e no dia 20 os músicos Ana Bacalhau e Samuel Úria conversam na Casa Fernando Pessoa sobre o papel das palavras e da literatura na sua vida musical.

Nos dias seguintes, a Fundação José Saramago convida a um ciclo de leituras de textos censurados, desde livros proibidos em Espanha e na Albânia até peças de teatro censuradas na Croácia e na Polónia, enquanto a cidade do Porto abre portas para uma sessão de leitura no Teatro do Campo Alegre, que reúne seis vozes “inquietantes” e “detonadoras”: Fernando Pessoa, José Saramago, António José Forte, Luiza Neto Jorge, Adília Lopes e José Miguel Silva.

O dia 24 começa com um passeio áudio guiado pela Lisboa de Fernando Pessoa - as ruas que o poeta calcorreou -, ouvindo os sons da cidade daquele tempo, prossegue pela tarde com uma peça de teatro de Saramago, “O Lagarto”, para os mais novos, e termina com uma leitura-concerto de textos exclusivamente pessoanos, destinada a assinalar também os 130 anos do nascimento do poeta.

No dia seguinte, o foyer do Teatro Nacional de São Carlos estará aberto para uma leitura encenada de autores portugueses contemporâneos como Teolinda Gersão, Isabela Figueiredo, Adília Lopes, João Paulo Esteves da Silva, ou Golgona Anghel, a cargo das atrizes Ana Brandão, Carla Bolito e Sara de Castro, e com música de Carlos Bica.

A fadista Cristina Branco estará no palco do São Luiz, no dia 27, para cantar alguns poemas, entre os quais um inédito – musicado por Bernardo Moreira – inspirado no texto que Saramago escreveu quando conheceu Pilar del Rio, contou a cantora.

Os 20 anos do Nobel da Literatura assinalam-se no dia 28, com uma mesa redonda dedicada à promoção da leitura, e o dia 29 está reservado para uma aula de poesia mundial, em que professores e especialistas partem da biblioteca privada de Fernando Pessoa para apresentar os poetas que aquele autor leu.

A programação encerra com espetáculo inédito, criado especialmente para os 83 anos da morte do poeta, e os 25 anos da Casa Fernando Pessoa, criado por Miguel Loureiro, que reúne em palco Fernando Pessoa e os heterónimos Alberto Caeiro, Álvaro de Campos e Ricardo Reis para percorrerem a heteronímia e os escritos esotéricos.

O programa paralelo consiste num trabalho de Arte Urbana de Opiemme, artista autointitulado “poeta da arte urbana” e cujo trabalho tem uma relação muito próxima com a poesia e a linguagem, que vai estar, no sábado, a pintar uma parede na Rua do Patrocínio.

Na segunda-feira, 19 de novembro, na oficina “Desassossego na Paz”, a mediadora Cláudia Sousa vai estar a trabalhar com um grupo de mulheres e jovens da Casa de Abrigo de Lisboa da APAV (Associação Portuguesa de Apoio à Vítima), em torno da leitura, da ilustração, do jogo, do pensamento, da construção, de autores e livros.

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