"A Dulce Maria Cardoso escreve aquele que eu considero ser o texto mais completo sobre o drama que foi a descolonização". A frase de Nicolau Santos, na conversa de antevisão ao clube de leitura que aconteceu esta quinta-feira, 25 de junho, foi o grande mote que acompanhou uma discussão que começou no livro "O Retorno" e que foi ganhando vida nos vários relatos, na primeira pessoa, partilhados pelos vários participantes.

O jornalista convidado, o atual presidente do Conselho de Administração da Lusa, nasceu em Angola, em 1954, onde viveu e cresceu até vir para Portugal já jovem. É pelo que viu, sentiu e testemunhou que salienta o contributo deste romance.

"É um período desconforme da nossa história, que não tem nenhum charme, não tem nenhum glamour, e portanto, não havia nenhum escritor que tivesse até aqui escrito sobre isto [desta forma]. É muito mais heróico escrever sobre a guerra, sobre a parte militar portuguesa, dos movimentos de libertação, do que [sobre] 500 mil, meio milhão de civis que de repente deixa a terra em que viviam e vêm para Portugal", diz, salientando que "a Dulce Maria Cardoso prestou um enorme serviço a Portugal, a todos os portugueses, para perceberem o que se passou e o drama verdadeiramente dramático que atingiu milhares e milhares de pessoas".

A conversa pode ser recordada no player acima. Se tem interesse em estrear-se no nosso clube ou se quiser reencontrar-se connosco, aconselhamos a todos os bibliófilos a juntarem-se ao nosso grupo de Facebook onde a partilha e conversa literária se faz de forma mais rotineira.

Os próximos encontros já estão definidos, a saber:

9 de julho | "Mataram a Cotovia", de Harper Lee (inscreva-se através deste link)

23 de julho | "A Máquina de Fazer Espanhóis", de Valter Hugo Mãe (inscreva-se através deste link)

27 de agosto | "Cem Anos de Solidão", de Gabriel García Márquez (inscreva-se através deste link)

Sinopse do livro "O Retorno"

1975, Luanda. A descolonização instiga ódios e guerras. Os brancos debandam e em poucos meses chegam a Portugal mais de meio milhão de pessoas. O processo revolucionário está no seu auge e os retornados são recebidos com desconfiança e hostilidade. Muitos nao têm para onde ir nem do que viver. Rui tem quinze anos e é um deles. 1975. Lisboa. Durante mais de um ano, Rui e a família vivem num quarto de um hotel de 5 estrelas a abarrotar de retornados — um improvável purgatório sem salvação garantida que se degrada de dia para dia. A adolescência torna-se uma espera assustada pela idade adulta: aprender o desespero e a raiva, reaprender o amor, inventar a esperança. África sempre presente mas cada vez mais longe.

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