Criado em 1950 pelas Nações Unidas, o Dia Mundial da Criança passou a ser assinalado por grande parte do globo no dia 1 de junho de forma a alertar para os direitos das crianças — tanto para manter os já respeitados, como para fazê-los valer perante situações de desfavorecimento que se repetem.

É com um pouco desse espírito também que o ilustrador argentino Marcos Farina publicou “Tu e Eu e Todos”, editado em Portugal pela Orfeu Negro: mostrar aos mais pequenos que, apesar de todas as diferenças entre as pessoas, é mais aquilo que as une do que aquilo que as separa — desde a necessidade de comer à vontade de ser amado —, e que nos devemos respeitar entre todos.

É claro que, mesmo tendo isso em conta, nem toda a gente tem as mesmas prioridades. Alguns valorizam mais a família, outros os amigos, outros ainda a natureza ou os sonhos: todos podem ver refletidas as suas preferências n’”O Grande Livro dos Super Tesouros que Realmente Importam”. Com edição pela Nuvem de Letras, esta é uma obra da escritora e psicóloga catalã Susanna Isern, acompanhada pela sua conterrânea, a ilustradora Rocío Bonilla.

Mas cultivar a empatia talvez seja mesmo o passo mais importante para que possamos compreender o outro, especialmente se estiver a passar por dificuldades que nos são alheias. Apenas com o poder da imagem — sem recurso a texto ao longo de todo o livro —  “Migrantes” demonstra os sacrifícios que tantos atravessam ao ilustrar a jornada de um grupo de animais deslocados do seu lar. Esta obra da chilena Issa Watanabe, galardoada com o prestigiado prémio Sorcières deste ano, saiu também pela Orfeu Negro.

Outra forma de demonstrar esse desafio de comunicar com os outros é representada pelo autor britânico Tom Percival em “Como se Fazem Amigos?”. Neste livro, editado pela Jacarandá, uma menina chamada Rosa descobre que, para si, tudo é fácil, menos criar novas amizades. Ultrapassando as suas dificuldades, a protagonista descobre que é através da sua personalidade única que consegue atrair os demais — passando uma mensagem de auto-aceitação e da importância da saúde mental.

Uma ideia semelhante é transmitida em “Como Ser um Leão”, de Ed Vere, livro lançado pela Fábula. Leonardo é um dos reis da selva, mas, ao contrário dos seus pares, não gosta de caçar e ser feroz, preferindo escrever poesia e conviver com uma pata chamada Mariana. Um dia, é confrontado pelos outros leões sobre as suas escolhas, demonstrando-lhes que não temos de nos enquadrar com rótulos definidos para ir ao encontro do que esperam de nós.

De resto, já desde a Grécia Antiga, como as fábulas de Esopo nos demonstram, que se faz dos animais protagonistas das histórias para facilitar a transmissão de verdades universais, por mais dolorosas que sejam. Uma delas é a morte e é o tema central de “A Raposa”, de Isabel Thomas e com ilustrações de Daniel Egnéus, saindo pela Bertrand. Acompanhando uma filha de raposas ao longo das quatro estações do ano, este livro toma uma abordagem tão científica quanto emocional ao ciclo da vida.

Algo que também temos de enfrentar, mais tarde ou mais cedo, são os nossos medos. Um dos mais comuns, independentemente da idade, é o da escuridão. Em “Salto no Escuro”, Adélia Carvalho junta-se uma vez mais a Sérgio Condeço para contar uma história onde a metáfora serve para lidar com a realidade e demonstrar que as coisas não são unidimensionais. Porque se a sombra obscurece por um lado, por outro também serve para brincar. Este é um lançamento da Livros Horizonte.

Quem também decidiu dar um salto foi Mario Vargas Llosa, mas para os livros infantis, quando em 2010 o Nobel da Literatura foi desafiado a dedicar a sua pena à ficção para crianças. O resultado foi “Fonchito e a Lua”, agora editado pela Editorial Presença. Com ilustrações de Marta Chicote Juiz, aqui conta-se a história de Fonchito, menino perdido de amores pela colega de turma Nereida. Esta, porém, pede-lhe aquilo aparentemente impossível de obter para conquistar o seu coração: a Lua. Uma obra concebida para demonstrar que não há barreiras que o amor não desabe.

Esse sentimento, é sabido, não se circunscreve apenas às paixões. É o apreço que tem pela sua avó o que motiva Santiago a abrir “A Gaveta Mágica” da sua cabeça. Visto que a da sua avó ficou vazia e deixou de armazenar histórias que ele gostava de ouvir, cabe ao neto ajudá-la e ser ele a dar largas à sua imaginação para fazer-lhe companhia. Regresso do celebrado escritor António Mota aos livros, esta obra — editada pela ASA e com ilustrações de Cátia Vidinhas — pretende demonstrar como a magia pode partir de nós.

Mas também pode partir de uma porta que nos transporta para uma terra desencantada por um mago tirano. É o desafio colocado a Olia, de 13 anos, em “O Castelo da Magia Emaranhada”, da galesa Sophie Anderson — livro editado pela Minotauro. A protagonista vê-se na obrigação de salvar este novo local e os seus habitantes contra todas as probabilidades, tendo de procurar dentro de si a chave para a salvação.

Outras pessoas vêem-se desterradas e com os seus próprios desafios, apesar de não serem pela sua própria sobrevivência. É o caso de Ema, que quando a sua família se muda do campo para a cidade, perde o acesso ao imenso verde que a rodeava. Na selva urbana, onde é que podemos encontrar a natureza de que sente falta? Em “O Jardim”, obra editada pela Fábula, a ilustradora Anna Walker faz esse elogio ao mundo natural e à capacidade de adaptação.

E, falando em adaptação, dado o enorme crescimento que as cidades sofreram no último século, muitos foram os animais que tiveram de fazer delas o seu novo habitat. Em “A Vida Selvagem na Cidade”, o jornalista da BBC Ben Hoare apresenta um guia para todas as idades que demonstra que há mais habitantes nas metrópoles que os humanos e os seus animais de estimação, desde as focas em Vancouver aos leopardos em Bombaim.

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