“Alguns desenhos são conhecidos e já foram publicados. O esforço feito nesta exposição foi o de tentar ordená-los de uma forma sistemática do ponto de vista cronológico”, explicou à agência Lusa o arquiteto Rui Lobo, um dos curadores da exposição.

Intitulada “Desenhos para a boa ordem da universidade. A reforma pombalina da Universidade de Coimbra”, esta exposição parte do "Livro de Provisões" que, dando resposta aos novos estatutos, atribuiu o antigo colégio dos Jesuítas (que foram expulsos em 1759) e outras dependências da alta universitária aos novos estabelecimentos científicos da reforma.

“Os desenhos foram produzidos num intervalo de tempo muito curto, a seguir a 1772, que foi quando o Marquês de Pombal veio a Coimbra apresentar os novos estatutos da universidade”, disse Rui Lobo.

Segundo o arquiteto, “os estatutos criaram uma série de novos estabelecimentos destinados ao ensino científico e experimental”, como, por exemplo, “um laboratório químico, um observatório astronómico e um observatório anatómico que não se chegou a fazer, mas que era associado ao hospital público”.

Rui Lobo contou que os 40 desenhos em exposição pertencem a vários espólios e só com esta exposição foi possível ter “uma sequência cronológica” da sua produção.

“Os desenhos pertencem à Biblioteca Geral e ao Observatório Astronómico da universidade, ao MNMC e a um proprietário privado”, referiu, acrescentando que, relativamente aos últimos, não estarão presentes os originais, mas “uma edição feita há 35 anos com os desenhos a preto e branco”.

O arquiteto disse ainda que “alguns desenhos estão no Rio de Janeiro, na Fundação Biblioteca Nacional”, estando na exposição ‘fac-similes’ com dimensões originais.

A exposição é constituída por três núcleos: “A ‘vontade’ do rei”, com o "Livro de Provisões", “A evolução da reforma”, com a sequência dos projetos dirigidos por Guilherme Elsden, e “Depois do Marquês…”, alusivo ao período de 1799 a 1821, no segundo reitorado do bispo Francisco de Lemos, com os projetos e obras elaborados na sequência da reforma.

No total, estão expostos 40 desenhos, entre os quais oito ‘fac-similes’ (cinco deles da Fundação Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro).

Além de Rui Lobo, que é professor no Departamento de Arquitetura, na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade de Coimbra, é curadora da exposição Virgínia Gomes, conservadora do MNMC.

Este museu tem cerca de 140 desenhos sobre a reforma pombalina, que são muito solicitados pelos arquitetos e outros investigadores deste período.

A diretora do MNMC, Ana Alcoforado, sublinhou à Lusa a “forma inovadora” como a exposição conta a história da reforma pombalina da universidade.

Na sua opinião, o grande desafio foi conseguir que a exposição tivesse “uma linguagem acessível a todos”.

“Percebe-se claramente como é que foi pensada uma reforma tão profunda da universidade e todos os ideais do iluminismo estão ali espelhados. Penso que é uma exposição que interessa ao público em geral”, frisou.

A exposição, que ficará patente no MNMC até ao final deste ano, realiza-se no âmbito do XIII Encontro Internacional das Cidades e Entidades do Iluminismo.

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