Sobre o erro na contagem na primeira semifinal nada se disse até ao momento de serem conhecidas as votações, tendo o carinhosamente apelidado de "JurIsidro" feito uma referência à transparência das votações e à ausência de video árbitro.

Referindo-se a essa polémica ou a outras, não ficou claro, Júlio Isidro fez questão de salientar que “a polémica é o Festival”, no momento de apresentação dos jurados. Nas palavras do presidente do júri: “O festival voltou a não ser indiferente às pessoas”. Já Tozé Brito, ao responder à questão das apresentadoras sobre se esta é uma edição mais eurovisiva, refere que não há fórmulas "até porque os computadores falham".

"Bandeira Azul", de Maria Inês Paris, abriu a segunda semifinal do festival com problemas técnicos. Razão pela qual a RTP decidiu que a cantora de 21 anos, e sobrinha do compositor Tito Paris, repetiria a sua prestação no final de todas as atuações.

Se Peter Serrado, luso-descendente nascido em Toronto, quis explorar no seu tema a sua herança portuguesa, as raízes africanas foram também desbravadas com Tito Paris, Paulo Flores e Aline Frazão. Um elogio à lusofonia mas também à língua portuguesa (e um elogio também à capacidade de juntar numa letra os termos "Osiris" e Zaratustra", depois de "quem koala consente" de Samuel Úria).

Finalistas da segunda semifinal

  • Diogo Piçarra ("Canção do Fim")
  • Cláudia Pascoal ("O Jardim")
  • Maria Inês Paris ("Bandeira Azul")
  • Minnie & Rhayra ("Patati Patata")
  • Lili ("O Voo das Cegonhas")
  • David Pessoa ("Amor Veloz")
  • Peter Serrado ("Sunset")

Dos reencontros de Dora e Miguel Angelo, que colaboraram nos idos anos 90, às parcerias com mais de uma década, de Lili e Armando Teixeira, o Festival é também feito de novas colaborações que podem dar frutos, ou flores, como no caso de Isaura e Cláudia Pascoal e Rita Ruivo e João Afonso.

Mas o Festival é também  palco para os músicos se reinventarem, mesmo que o público esteja habituado a outro registo. Exemplo dado por David Pessoa e de Francisco Rebelo, que não dão descanso às ancas no projeto comum Fogo-Fogo, ou por Tamin e Capicua, dois nomes associados à bela arte das rimas ou a batidas mais soul. É um desafio, pode correr mal, mas qual é o mal de arriscar?

Quem não arriscou foi Diogo Piçarra, que interpretou o seu próprio tema. O músico voltou assim a um concurso televisivo, depois de vencer a edição dos Ídolos, em 2012. Um formato que não o parece assustar nem aos seus fãs, bastante efusivos e participativos nas redes sociais.

A segunda noite do certame musical fica marcada também pela presença feminina. Para além das apresentadores, das treze canções a concurso dez foram interpretadas por mulheres.

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"Cinco ilustres jovens" que se estrearam em 1968, há precisamente 50 anos, foram ainda recordados — Carlos Mendes, Nicolau Breyner, José Cid, Pedro Osório e Tonicha — como de prova que o Festival vive e celebra as suas vozes. Os acordes, a forma de "amar a vida" e o contributo de José Luís Tinoco no Festival foram também lembrados e agradecidos.

João Pedro Coimbra e Nuno Figueiredo voltaram a debruçar-se sobre o cancioneiro de Carlos Paião. "Pó de arroz", de 1988, "Cinderela", de 1984, e "Playback", tema com o qual venceu o festival em 1981, foram os temas interpretados.

Herman José foi o convidado especial desta segunda semifinal para protagonizar uma homenagem a Carlos Paião com "A Canção do Beijinho".  O tema do "Doutor Música" ajudou popularizar o humorista que, recorde-se, participou também no Festival em 1983 com “A Cor do teu Baton”, de António Pinho e Tozé Brito. Tema com o qual Herman conseguiu só um segundo lugar e ainda bem que assim o foi. O entertainer não poderia ganhar uma vez que não tinha (e não tem) nacionalidade portuguesa.

Os finalistas desta noite são: Diogo Piçarra ("Canção do Fim"), Cláudia Pascoal ("O Jardim"), Maria Inês Paris ("Bandeira Azul"), Minnie & Rhayra ("Patati Patata"), Lili ("O Voo das Cegonhas"), David Pessoa ("Amor Veloz") e Peter Serrado ("Sunset").


Reveja aqui as treze atuações da segunda semifinal do Festival da Canção


As canções da segunda semifinal juntam-se às já apuradas: "Só por Ela" (composta por Diogo Clemente e interpretada por Peu Madureira), "(sem título)" (composta e interpretada por Janeiro), "Para sorrir eu não preciso de nada" (Júlio Resende/Catarina Miranda), "Pra te dar abrigo" (Fernando Tordo/Anabela), "Anda estragar-me os planos" (Francisca Cortesão e Afonso Cabral/Joana Barra Vaz), "Zero a zero" (Benjamim/Joana Espadinha) e "Sem medo" (Jorge Palma/Rui David).

Votação 

A canção de Diogo Piçarra foi a preferida do júri e também conquistou o público "lá em casa", recebendo de ambos 12 pontos (terminando com 24 pontos). O músico confirmou assim o favoritismo que lhe foi atribuído desde que foram conhecidos os excertos de 45 segundos dos temas, tendo a "Canção do Fim" o maior número de visualizações no YouTube deste segundo leque de canções.

Sobre as canções que obtiveram 0 pontos por parte do júri, Júlio Isidro quis deixar claro que "não há nenhuma obra de arte que valha zero". "Arco-Íris (Assim Cantou Zaratustra)", "All Over Again" e "Anda Daí" valem pelo menos "um aplauso", disse o presidente do júri.

As canções interpretadas por Dora e Sequin também não receberam nenhum ponto por parte do televoto, terminando o Festival com zero pontos.

Os finalistas e vencedor são encontrados por votação do público (50%) e votação do júri (50%), num modelo inspirado no que tem vindo a ser seguido pela EBU (Eurovision Broadcast Union) nos últimos anos.

De acordo com o regulamento do Festival, a primeira música mais votada recebe 12 pontos, a segunda 10 pontos, a terceira 8 pontos, a quarta 7 e por aí adiante. A partir da 11ª todas recebem zero pontos.

O presidente do júri, Júlio Isidro ou "JurIsidro", tem voto de qualidade em caso de empate entre os jurados. A acompanhar o apresentador estarão os cantores Ana Bacalhau, Carlão, Luísa Sobral e Sara Tavares, a radialista Ana Markl, o jornalista Mário Lopes e os compositores Tozé Brito e António Avelar Pinho.

A caminho da Eurovisão

Filomena Cautela e Pedro Fernandes serão os responsáveis pela apresentação da grande Final, o espetáculo que reunirá as 14 canções finalistas e que acontece a 4 de março no Multiusos de Guimarães.

A “descentralização” do Festival não é uma novidade. Por outras vezes o palco do concurso deixou a capital: Porto (1983), Funchal  (1987), Évora (1989), Santa Maria da Feira (2001), por exemplo.

Na grande final o processo de votação é diferente. O vencedor é encontrado através da votação do televoto (50%) e de um júri regional (50%), constituído por representantes das cinco regiões de Portugal Continental e das 2 regiões autónomas (Madeira e Açores). O resultado final da votação será então o resultado da soma destas duas votações.

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O vencedor do Festival da Canção, que regressou no ano passado como uma janela renovada, abrindo o concurso a compositores que nunca nele tinham participado, irá participar em maio no Festival da Eurovisão da Canção, que este ano se realiza em Lisboa.

O evento vai contar com a presença de 43 países a concurso – o maior número de sempre, facto que só aconteceu duas outras vezes, em 2008 e 2011.

A partir de 4 de maio, a Praça do Comércio irá transformar-se na Eurovision Village (aldeia da Eurovisão), que estará de portas abertas diariamente até 13 de maio, entre as 15:00 e as 23:00, e onde haverá espetáculos ao vivo, um ecrã gigante onde serão transmitidas em direto as semifinais e a final, animação de rua e outras atividades. A festa irá fazer-se também numa discoteca na zona ribeirinha, que toma o nome de Eurovision Club.

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