“Como em todas as edições do festival, celebramos o poder da literatura reunindo um conjunto diversificado dos maiores pensadores, escritores e formadores de opinião do mundo, para defender a liberdade de expressão e o envolvimento em debates e diálogos ponderados”, disse à agência Lusa o diretor do JLF, Sanjoy Roy.

O festival da 'cidade rosa', capital do estado do Rajastão, noroeste da Índia, “continua a ser o encontro literário mais exclusivo do país, em que os nossos valores fundamentais permanecem inalterados”, funcionando como “uma plataforma democrática que assegura acesso a todos”, sublinhou, numa entrevista à agência Lusa, que combinou telefone e correio eletrónico.

“Trazemos o mundo para a Índia e levamos a Índia para o mundo. Ao longo destes 16 anos, recebemos entusiastas de arte e literatura de todo o mundo e continuamos a ser uma plataforma para as mais incríveis informações, diálogos e debates”, afirmou Sanjoy Roy.

Na última década, o Jaipur Literature Festival (JLF) “transformou-se numa plataforma literária global, tendo recebido mais de 2.000 palestrantes e acolhido mais de um milhão de amantes de livros de toda a Índia e do mundo”.

“Enquanto plataforma para a literatura, a arte e a cultura, o JLF conquistou um nicho para si em termos globais. Conhecido por ser 'o maior espetáculo literário do planeta', o festival estendeu ramificações da 'cidade rosa' de Jaipur à beleza do mundo, viajando para os Estados Unidos da América (EUA), Reino Unido, Canadá, Catar, Itália, Austrália e Maldivas”, salientou.

Segundo o jornalista e promotor cultural, o festival nasceu “como um esforço para preservar o património construído e valorizar os antigos 'havelis' e palácios, que estavam a ser demolidos na 'cidade rosa'”, fundada em 1727 pelo marajá Jai Singh II.

Palavra derivada do vocábulo árabe 'hawali', 'haveli' é uma mansão tradicional que pode ser encontrada em diferentes cidades da Índia, assim como do Paquistão, Nepal e Bangladesh.

“O Festival de Jaipur é uma combinação de muitas coisas – o programa espetacular, a hospitalidade, a comida, a profusão de cores e música – tudo conjugado para o tornar no que é hoje: o maior 'show' literário do mundo”, explicou Sanjoy Roy.

O escritor tanzaniano Abdulrazak Gurnah, refugiado no Reino Unido desde a juventude e agraciado, em 2021, com o Prémio Nobel da Literatura, é uma das presenças em destaque.

Outra, a do escritor Shehan Karunatilaka, nascido no Sri Lanka e igualmente radicado no Reino Unido, vencedor do Prémio Booker em 2022, com "As sete luas de Maali Almeida". O romance, uma história de humor negro, centrada num fotógrafo de guerra assassinado que investiga a sua própria morte, é também uma sátira sobre a guerra, e será publicado em breve em Portugal.

A britânica Bernardine Evaristo, distinguida com o Prémio Booker em 2019, pelo seu romance “Girl, Woman, Other”, também intervém no JLF, cuja participação maioritária, aliás, é constituída por autores de expressão anglófona, incluindo da Índia, EUA e Austrália.

A ucraniana Eugenia Kuznetsova, doutorada em análise literária em Espanha e investigadora na área dos 'media', e Jerry Pinto, poeta indiano com raízes em Goa, são outras apostas da organização.

A portuguesa Ana Filomena Amaral é a única participante lusófona, coincidindo com a edição em língua bengali do seu romance “A Casa da Sorte”, publicação que teve apoio da Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) e do Instituto Camões.

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