Trezentos vestidos confeccionados entre 1947 até a presente data, mil documentos e dezenas de obras de arte vão estar exibidos a partir da próxima quarta-feira, dia 5, no Museu de Artes Decorativas, em Paris.

Nascido no seio de uma família de industriais franceses, Christian Dior (1905-1957) foi um homem de grande cultura, que trabalhou numa galeria antes de se transformar num dos estilistas mais celebrados da moda.

"Não foi alguém que se interessasse pela arte depois de fazer fortuna. Dior partiu da arte para a alta-costura", lembrou Olivier Gabet, diretor do museu e curador da exposição juntamente com a historiadora Florence Müller.

Amigo de artistas como Jean Cocteau, Max Jacob e Picasso, abriu uma galeria em Paris com um grupo de sócios, defendendo "a arte moderna e contemporânea mais vanguardista", contou Gabet. "Foi quem apresentou pela primeira vez numa galeria pessoas como Alberto Giacometti e Salvador Dalí", acrescentou.

O New Look

Na exposição, como não poderia deixar de ser, homenageia-se o "New Look", o estilo que Dior concebeu em 1947, depois da Segunda Guerra Mundial. Esse estilo concedeu um "novo ar" à mulher, com cinturas ajustadas, saias longas, rodadas e ombros naturais.

O "New Look" influenciou não apenas os estilistas contemporâneos da Dior, como continua a inspirar os estilistas atuais, assim como os seis diretores artísticos que lhe sucederam na direção da sua maison.

Saint Laurent, o sucessor

Depois da morte de Christian Dior, aos 52 anos, o jovem Yves Saint Laurent assumiu as rédeas. A sua primeira coleção, "Trapézio", valeu-lhe o apelido de "O Pequeno Príncipe da moda".

Determinante foi igualmente a sua coleção "Beatnik", inspirada nos motoqueiros e nos blusões de couro, que chocou a clientela da época.

Marc Bohan e o 'Slim Look'

Apesar de ficar 29 anos — um recorde — à frente da direção artística da Dior, o francês Marc Bohan parece ter caído um pouco no esquecimento.

"A extravagância dos seus sucessores ofuscou um pouco o seu período, mas teve muito êxito na época", explica a historiadora Florence Müller.

Com Bohan, as saias ficaram mais curtas, sendo ele o criador do "Slim Look", uma silhueta adolescente e mignon, muito em sintonia com os anos 1960. Entre as suas clientes, destacou-se, por exemplo, Grace Kelly.

Ferré e Galliano, a exuberância

Sob a batuta do italiano Gianfranco Ferré, a marca voltou às origens, com vestidos elegantes e finamente bordados, além de plumas e flores.

John Galliano irrompeu no mundo da alta-costura através da sua excentricidade à inglesa e também foi fiel ao fundador da Dior, com "uma visão da feminilidade muito exacerbada: a cintura estreita, os quadris amplos, o busto em destaque", segundo a curadora.

Raf Simons, o minimalista

O belga Raf Simons tinha fama de ser minimalista, mas a exposição é a ocasião para desmentir isso, ressalva Müller.

"Pode dar a sensação de que é muito simples, mas, de perto, pode observar-se a complexidade do trabalho", enfatizou, mostrando um bordado em três dimensões e um vestido confeccionado inteiramente com pequenas plumas.

Maria Grazia Chiuri, a 'prima donna'

Nomeada em 2016, a italiana Maria Grazia Chiuri é a primeira mulher a chefiar a criação artística da Dior. Os vestidos expostos mostram uma visão delicada da mulher, com muitos bordados cobertos por tule.

"Esta exposição não fala apenas da maison Dior. Fala de várias épocas e das suas mulheres. É isso que me fascina", conclui a diretora artística.

Por Anne-Laure MONDESERT

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