A informação dos recitais, que se realizam hoje, sábado, domingo e nos dias 21, 22, 28 e 29 deste mês, consta da página oficial do Centro de Artes de Belgais, uma propriedade rural em Escalos de Baixo (Castelo Branco) onde anteriormente funcionou o Centro Belgais para o Estudo das Artes, fundado por Maria João Pires.

A única informação disponível sobre os recitais de hoje, sábado e domingo é que vão contar obras de Mozart e Chopin, estando os três já esgotados.

Quanto aos concertos de Natal (21 e 22), vão contar com a presença do pianista Milos Popovic e da soprano Talar Dekrmanjian.

Já os dois concertos de Ano Novo (28 e 29) incluem também a pianista Lilit Grigoryan.

Criado em 1999 como um projeto educativo, pedagógico e cultural, com impacto na região, e que chegou a ter o apoio do Ministério da Educação, o Centro Belgais para o Estudo das Artes encerrou em 2009 alegando na altura uma “difícil situação económico-financeira”.

Quase uma década depois, o projeto cultural de Maria João Pires foi renovado e reativado como Centro de Artes de Belgais, disponibilizando-se retiros musicais, espaço para atuações e oficinas de música. Há ainda uma valência de alojamento e de produção de azeite, como se lê na página oficial.

Contactado pela agência Lusa, o administrador do Centro de Artes de Belgais, Vítor Dias, explicou que em 2009 o projeto “havia encerrado devido à ocupada agenda de Maria João Pires”.

“Com imensos concertos por todo mundo não tinha tempo para tantas responsabilidades tendo que optar pelo encerramento temporário. Atualmente a situação permite que o Centro volte de novo ao seu pleno”, referiu, sem especificar há quanto tempo o centro foi reativado.

Em 2010, pouco depois do encerramento do anterior projeto, Maria João Pires afirmava, em diferentes entrevistas para a imprensa estrangeira, que iria avançar com um projeto social semelhante no Brasil, país onde pediu dupla nacionalidade.

Ao longo da última década, a pianista admitiu algum cansaço e intenção de se retirar dos palcos, embora tenha feito algumas atuações, sobretudo fora de Portugal.

Além dos recitais em Belgais, nos quais irá tocar para uma audiência de 125 pessoas, Maria João Pires mantém, para 2019, o concerto a 22 de fevereiro no Palau de La Musica, em Barcelona.

Maria João Pires nasceu em Lisboa, a 23 de julho de 1944. É a mais internacional e reputada das pianistas portuguesas, com um percurso artístico que remonta a finais dos anos 1940, quando se apresentou pela primeira vez em público, aos quatro anos.

Entre os prémios conquistados pelo talento artístico contam-se o primeiro prémio do concurso internacional Beethoven (1970), o prémio do Conselho Internacional da Música, pertencente à UNESCO (1970), e o Prémio Pessoa (1989).

Em 2010, numa entrevista ao jornal Evening Standard, de Londres, declarou que “gostaria de se poder retirar”. “Já toquei muito. Toquei durante 60 anos, e acho que é demais”.

Nessa entrevista ao jornal britânico, Maria João Pires garantiu que mantinha “o mesmo entusiasmo pela música”, que continuava a gostar de tocar, embora sentisse uma mudança de atitude: “Eu não gosto de estar no palco – eu nunca gostei – mas uma coisa é não gostar, outra é não conseguir lidar com isso. Não estou a lidar bem com isso agora. Uma vez que comece a tocar, é o mesmo de antes, mas depois sinto-me muito mais cansada, porque é tão exigente – não física, mas psicologicamente”.

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