O projeto da SIC “surgiu em [19]86, [19]87. Nós sabíamos que a televisão privada acabaria por chegar a Portugal, demorou mais tempo do que jamais pensei que fosse demorar”, afirmou Francisco Pinto Balsemão à Lusa, quando se assinalam os 25 anos da atribuição de licenças de televisão a empresas privadas, com a resolução de Conselho de Ministros de 6 de fevereiro de 1992.

Ainda antes do concurso, Francisco Pinto Balsemão iniciava um processo de preparação para o advento das televisões privadas, o que levou a que optasse por escolher um parceiro estrangeiro que já estava na televisão, a brasileira Globo.

“Depois foi escolher pessoas e metemos todos no escritório, ainda não havia estas instalações”, em Carnaxide, recordou o presidente do Conselho de Administração da Impresa, dona da SIC, quando conta a história do arranque deste canal privado.

“Isto era um armazém de bananas, era do grémio dos importadores de banana da Madeira, tinha frigoríficos, e, enquanto fizemos as obras – que foram feitas em tempo recorde -, estivemos no escritório e fomos preparando a programação”, prosseguiu.

Francisco Pinto Balsemão disse que nunca teve dúvidas de que conseguiria obter uma das licenças, salientando que a única incerteza era quem seria o seu concorrente: “Achei que o nosso projeto era realmente um projeto muito profissional, como se veio a demonstrar”.

Sobre o dia em que foi conhecido que a SIC tinha obtido a licença, tendo ficado em primeiro lugar no concurso público, Balsemão afirmou: “Ficámos muito satisfeitos, abraçámo-nos” e a ideia seguinte foi: “Vamos, agora é trabalhar”.

Isto porque Francisco Pinto Balsemão queria “bater o recorde”, que era abrir as emissões da SIC antes das da TVI, o que veio a acontecer oito meses depois de ser conhecida a atribuição da licença, em 6 de outubro de 1992.

“Foi um contrarrelógio terrível […]. Mas dá gozo fazer as coisas assim, eu gosto de ter pressão em cima”, confidenciou.

Balsemão disse que “a aventura não foi fácil de percorrer”, pois os primeiros anos foram complicados, porque foi preciso meter mais dinheiro, foi preciso convencer os acionistas a dois aumentos de capital e foi preciso, entretanto, conservar os instrumentos jurídicos que tinham sido criados” para assegurar o controlo da empresa.

Questionado sobre o que é que trouxeram as televisões privadas ao setor, Balsemão destacou a concorrência, já que até àquela data a RTP tinha o monopólio, com a RTP1 e RTP2.

“Só o facto de haver concorrência obrigou a RTP a melhorar, mas muito além disso foi a novidade e frescura que nós trouxemos, quer do lado da informação, quer do lado do entretenimento”, isto porque “fomos abordar assuntos que não eram abordados, que eram quase tabu”, disse.

E exemplificou: “Criámos novos tipos de informação, havia o Opinião Pública, por exemplo, e outros que, além dos jornais, nos permitiam abordar os assuntos de uma maneira diferente”.

“Contribuímos para o desenvolvimento dos media em Portugal, quer na componente da informação, quer na componente de entretenimento e agora estamos a avançar porque há novos desafios, há os desafios digitais”, afirmou.

Balsemão disse que já estão a ser vendidos “muitos conteúdos nossos lá para fora, quer para televisões, quer para outro tipo de distribuição”.

“Por exemplo, a Netflix compra-nos conteúdos, o próprio Facebook compra-nos conteúdos e isso é uma revolução que está em curso, da qual não nos podemos alhear”, considerou.

Hoje, a SIC conta com oito canais, dois produzidos para o estrangeiro – SIC Internacional e um canal produzido por encomenda para distribuidores em África -, a SIC Notícias, SIC Mulher, SIC Radical, SIC K e SIC Caras.

Para o futuro, o desafio será, segundo Balsemão, a antecipação: “Neste mundo dos media, quem não se antecipa normalmente fica para trás e acho que o que há 25 anos nós fizemos foi antecipar-nos”, concluiu.

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