A partir do Espaço Santa Catarina, em Lisboa, José Couto Nogueira, acompanhado pelo jornalista André Macedo, como convidado, apresentou a sua mais recente obra, “A namorada infiel, o amigo incompetente e outras crónicas sobre o sentido da vida”.

Celibatário ou traidor?

Tenho lido os conselhos que dás aos leitores do jornal. Umas vezes invocas a ética e a moral para responderes aos indecisos, outras vezes pões esses conceitos de lado e referes-te a situações práticas para resolver determinado assunto; como tal e segundo os teus juízos de valor, tenho a esperança de que afinal sou menos ruinzinho do que aquilo que penso.

José, então é assim: estive casado 22 anos e nunca traí a minha ex-mulher. Ao fim de todo este tempo pediu o divorcio, porque dizia que não era feliz. Eu era, e iria até ao fim da minha vida com ela, mas isso já não interessa. O facto é que agora ando no mercado. Com este trambolhão perdi a timidez, a ingenuidade e quase deixei de acreditar no amor. Tornei-me num desavergonhado sacaninha. Como sou giro e bem falante seduzo-as todas, e inclusivamente vou para a cama com mulheres de amigos meus. Sinto remorsos, mas gosto da fruta e perante tal dilema opto sempre pelo cabaz em detrimento de tão nobre sentimento que é a amizade.

José, a minha dúvida é a seguinte: É melhor abster-me e em nome dos bons princípios tornar-me num celibatário à força, obrigando-me a recorrer a Onan como forma de libertar as minhas debilidades, ou ceder à tentação e levá-las ao paraíso sendo depois recompensado com perfumes, biscoitos e outros mimos, pois Agustina dizia que o amor é um mero subterfúgio que só serve para justificar o nosso egoísmo.

Guloso Inveterado

Caro Inveterado

A Agustina será uma deusa, mas o amor nunca foi um subterfúgio. Pelo contrário, tudo o mais é que são subterfúgios para compensar a falta de amor – desde o poder e o dinheiro até ir para a cama com as mulheres dos amigos. Mas vamos por partes.

A primeira coisa é que, evidentemente, lhe faz falta o amor que ainda sente pela sua mulher e portanto anda para aí aos pontapés para ver se sacia a sede com água em pó. Não há nada de mal em ir para a cama com todas as mulheres que lhe apetece (desde que não as engane com falsas promessas) mas com quantas mais for menos saciado se sentirá. Parece uma contradição mas é verdade, acredite.

A segunda questão é ir para a cama com as mulheres dos seus amigos. Para quê? Para provar que é mais homem do que eles? Para compensar a perda da sua mulher, provando a si próprio que conquista todas e também que elas são volúveis como terá sido a sua? Já que é tão bem falante e sedutor, pode seleccionar à vontade; precisa de escolher logo aquelas que não devia? Ou precisa, é essa a vingança?

A terceira questão é a opção entre ir para a cama com as mulheres dos amigos ou tornar-se um celibatário onanista. Então e as outras opções? Há paletes de mulheres lindas e maravilhosas que não são casadas, nem com amigos seus nem com ninguém. Pode ter uma vida sexual intensa sem passar pelas mulheres que devia evitar. Agora, uma vida sentimental, é outra história. Para voltar a tê-la não precisa de uma mulher, mas sim de um psicólogo. Homem, de preferência.


 José Couto Nogueira é colaborador do SAPO24.

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