“O Teatro Maria Matos retoma a atividade sob a gestão da Força de Produção no dia 15 do próximo mês de julho”, refere a Força de Produção num comunicado hoje divulgado, no qual recorda que “a abertura do teatro anunciada no início deste ano, estava inicialmente marcada para 30 de abril”, mas a “atual conjuntura” levou ao adiamento.

O “novo” Teatro Maria Matos posiciona-se, de acordo com a Força de Produção, “como um espaço de criação do presente, como lugar de encontro de pessoas diferentes, mas unidas, um Teatro de todos e para todos”.

A equipa de “consultoria” do teatro inclui o humorista Bruno Nogueira e os músicos Filipe Melo e Nuno Rafael.

A programação do espaço terá “enfoque principal na realização de produções teatrais destinadas ao grande público”, com “produções próprias, coproduções nacionais e internacionais e parcerias numa oferta regular, diversa e acessível, organizada em longas e médias temporadas”.

A “complementar o programa central de Teatro”, haverá também atividades na área da música, “com uma aposta regular na oferta, em formato de ciclos, festivais e apresentações, estando, igual¬mente aberta a possibilidade de desenvolver projetos de natureza social e inclusiva com preocupa¬ções educativas e pedagógicas, que promoverão novos públicos”.

Enquanto teatro municipal, o Maria Matos trabalhava frequentemente com a comunidade da zona onde se situa e, segundo a Força de Produção, esse trabalho terá continuidade.

“Conscientes da importância de trabalhar com as comunidades de proximidade, estabelecemos uma parceria com a Junta de Freguesia de Alvalade, numa aposta em processos de trabalho que visem a inclusão social, por via das práticas artísticas e culturais”, lê-se no comunicado hoje divulgado.

Além disso, a empresa pretende “desenvolver uma rede informal de parcerias com estruturas de produção de teatro, dança, música e museus, propondo-se integrar um ‘programa de cruzamento/partilha’ de espectadores, a partir de propostas de relação coerentes, inspiradas pelos conteúdos programáticos desenhados em cada temporada para o Maria Matos”.

O Teatro Maria Matos tem também um café cuja data de abertura está ainda “por definir”.

No dia 15 de julho o Maria Matos reabre com a reposição do musical “Avenida Q”, que esteve em cena em 2017 no Teatro da Trindade e no Casino de Lisboa e em 2018 no Teatro Sá da Bandeira, no Porto.

O musical, com encenação de Rui Melo, estará em cena entre 15 de julho e 01 de novembro. Antes, em 14 de julho, está marcado um ensaio solidário.

A programação musical do Maria Matos arranca com os Clã, que irão apresentar o novo álbum, “Véspera”, em 20 de julho.

Durante o verão, estão também agendados concertos de Cabrita (03 de agosto) e Afonso Cabral (04 de agosto), o espetáculo Salvador Sobral canta Brel (10 e 11 de agosto) e atuações de Alma Nuestra (17 e 18 de agosto), Salvador Sobral (24 e 25 de agosto) e de Ruge, projeto do jornalista Rodrigo Guedes de Carvalho (07 e 08 de setembro).

A decisão de concessionar o Maria Matos a privados foi anunciada em dezembro de 2017, pela vereadora da Cultura da Câmara Municipal de Lisboa, Catarina Vaz Pinto, no âmbito do projeto de remodelação da rede de teatros municipais.

O Teatro Municipal Maria Matos despediu-se do público, enquanto espaço gerido pela Câmara de Lisboa, em 14 de julho de 2018.

A Câmara Municipal de Lisboa lançou em 2018 um concurso público para seleção do projeto artístico do Teatro Maria Matos, para o qual recebeu três candidaturas.

A Força de Produção ficou em primeiro lugar na lista de classificação provisória, seguida da Yellow Star Company, em segundo, e da Meio Termo, em terceiro.

A decisão foi contestada pela Yellow Star Company, que, em setembro de 2018 interpôs uma ação judicial no Tribunal Administrativo de Lisboa contra a EGEAC (empresa municipal de gestão de equipamentos e animação cultural). No início deste ano, a empresa acabou por decidir retirar a ação, o que permitiu a reabertura daquele equipamento.

O Teatro Maria Matos foi inaugurado em 22 de outubro de 1969, sob direção artística de Igrejas Caeiro, com a peça “Tombo no Inferno”, de Aquilino Ribeiro. A sala, que no início dos anos 1970 chegou a funcionar como estúdio de televisão e por onde passaram várias companhias nos anos 1980, foi adquirida pela autarquia de Lisboa, em 1982.

Entre 1982 e 2004, ano em que fechou para uma “intervenção de profunda remodelação”, o Maria Matos foi palco de espetáculos de companhias e projetos como A Barraca, Teatro Infantil de Lisboa, O Bando, Companhia de Teatro de Lisboa, Teatro da Garagem, Escola de Mulheres, Companhia Paulo Ribeiro, CRINABEL — Teatro, entre muitos outros.

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