Estas são algumas das questões a que a Alemanha está a tentar responder, escreve a CNN. O país quer fechar todas as suas centrais nucleares nos próximos anos, mas isso coloca sérios desafios.

Atualmente, os especialistas procuram os melhores locais para enterrar 2 mil unidades de lixo altamente radioativo. O local não deve ter cursos de água por perto, não pode ser sísmico e não pode ser poroso, ou seja, tudo aquilo que poderia permitir uma fuga.

Encontrar uma local para enterrar este lixo não é o único desafio, há também a questão do transporte, dos materiais utilizados para o conter e dos sistemas de informação que têm de ser montados para que as próximas gerações saibam onde está — afinal, estamos a falar de um milhão de anos.

A decisão de acabar com as centrais nucleares foi tomada depois do desastre de Fukushima, no Japão, em 2011. Assim, as sete centrais alemãs ainda no ativo devem ser encerradas até 2022.

Atualmente, estes resíduos estão a ser guardados em instalações temporárias, normalmente perto das centrais de onde têm origem, sendo que estas estão desenhadas para conter o lixo tóxico apenas por algumas décadas, explicou o professor Miranda Schreurs, que integra a equipa de especialistas que procuram um local definitivo para enterrar os resíduos.

A localização definitiva "terá de ser muito, muito estável", diz  Schreurs.

Schreurs compara a situação alemã com a da Finlândia, que tem quatro centrais nucleares e conta construir mais no futuro, e que deverá enterrar os resíduos radioativos em rocha de granito, o que na Alemanha não sobeja.

O plano germânico é conseguir durante o próximo ano identificar os locais potenciais para enterrar estes resíduos. A escolha final destes locais está pensada para 2031, a sua construção para 2050, o transporte dos resíduos para 2090-2100 e o encerramento destes locais para 2130-2170.

Assim, especialistas em comunicação estão já a trabalhar em formas de explicar às gerações vindouras que não podem visitar estes locais. "Precisamos de encontrar uma forma de lhes dizer que a curiosidade aqui não é uma coisa boa", explica Schreurs, comparando este caso com o das pirâmides do Egito.

No entanto, quem é que vai aceitar ser vizinho ou viver por cima de lixo tóxico? Schreurs admitiu à CNN que a desconfiança pública é um dos temas problemáticos.

Com mais de 400 centrais nucleares em todo o mundo a questão do armazenamento de resíduos tóxicos tornar-se-á mais urgente.

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