No momento em que escrevo este texto, não posso dizer que este tenha sido um dia bom. Aliás, os últimos dias também não têm sido, a BBC avançou que Portugal vai ficar fora do corredor aéreo do Reino Unido, o que terá um impacto pesado na retoma do setor do turismo que, por cá, costuma receber, por ano, cerca de três milhões de turistas britânicos; Rui Rio criticou a ação governativa na região de Lisboa e Vale do Tejo, Miguel Guimarães, bastonário da Ordem dos Médicos, disse que o “excesso de otimismo” impediu o país de antecipar devidamente os cenários de confinamento.

Pergunto-me: o que é, nos dias de hoje, um dia mau? É o meu dia mau ou nosso dia mau? Como se não nos bastasse ter um dia mau, agora corremos o risco de poder vir a ter dois dias maus em 24 horas?

Ora, se o desconfinamento nos começava a dar laivos de normalidade para contrariar os nossos dias maus, os números mais recentes acinzentam os dias. Hoje, de acordo com o boletim epidemiológico da DGS, o número de mortos relacionadas com a covid-19 ascende a 1.564 pessoas enquanto os casos confirmados desde o início da pandemia totalizam 41.646 infetados.

Em comparação com os dados de sábado, constatou-se hoje um aumento de óbitos de 0,2%, enquanto a evolução dos casos de infeção mostrou um crescimento de 1,1%. Foi o maior aumento do número diário de casos em sete semanas, desde o dia oito de maio.

Os números pesam ainda mais depois da entrevista que António Costa concedeu ao jornal catalão "La Vanguardia", publicada três dias antes de Portugal e Espanha reabrirem a sua fronteira terrestre, e na qual invocou a necessidade de "prudência" nas comparações internacionais, ponto em que também rejeitou a ideia da existência de uma segunda onda da pandemia em Lisboa.

"Não se trata de Lisboa, mas de alguns bairros de municípios vizinhos. Não há um agravamento, mas nessas zonas não se assistiu à redução generalizada registada em todo o território. São 19 freguesias de um total de 3.091", especifica.

Hoje, os casos na região de Lisboa e Vale do Tejo representaram 85% do total de novos casos, um aumento em relação a sábado, dia em que a região apresentava 79% dos novos casos de covid-19, ou seja, 255 das 323 novas infeções daquele dia.

Ao mesmo tempo, hoje, em todo o mundo, ultrapassámos os 10 milhões de casos de infeção. Mas este ainda pode ser um dia bom, um daqueles dias em que a televisão não anuncia o admirável mundo novo que procuramos, mas em que a nossa vida proporciona um conforto, por muito pequeno que possa ser, que nos faça sentir leves.

Imagine, por exemplo, como é que um adepto do clube holandês, nono classificado da Eredivise, ficou ao saber que Arjen Robben, antigo extremo do Real Madrid, Chelsea e Bayern Munich, decidiu interromper a reforma para vir dar uma 'perninha' ao clube do seu coração. É disso.

Para mim, é o regresso daquele que nos tempos em que tudo era um cinzento sem fim, sabia embalar os finais de dia e dar aquela calma necessária para se ter a esperança de que vai mesmo correr tudo bem. Afinal de contas, o bicho não mexe só para o mal, não é senhor Bruno Nogueira?

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