No Zimbabué, e após 37 anos no poder (seis como primeiro-ministro e 30 como presidente), Robert Mugabe, 93 anos, foi obrigado pelos militares, em novembro, a abdicar do poder, numa ação em que todos tentaram evitar que se tornasse num golpe de Estado, e que levou ao poder o seu ex-vice-presidente Emmerson Mnangagwa, que promete eleições gerais em 2018.

Mugabe pode ter saído do poder, mas o presidente deposto do Zimbabué, vai continuar a ter direito a casa, uma frota automóvel e avião privado. Estas são apenas algumas das coisas que a reforma para ex-líderes do país (paga pelo Estado) inclui, diz a imprensa local.

Robert Mugabe, que renunciou ao poder em novembro, depois de um golpe militar, terá ainda direito a uma equipa de vinte pessoas, incluindo pelo menos seis guardas pessoais, mostram os detalhes divulgados pelo jornal local ‘The Herald’.

Para além da equipa, o ex-presidente terá ainda três carros, que vão ser substituídos de cinco em cinco anos, e combustível. Que carros? Uma berlina, uma carrinha todo o terreno e uma carrinha de caixa aberta.

Mugabe e a mulher terão passaportes diplomáticos, que poderão usar em quatro viagens de primeira classe, por avião ou comboio, dentro do Zimbabué, ou quatro viagens ao estrangeiro num avião privado.

Quando não estiver de viagem, o ex-presidente terá ao dispor uma residência oficial totalmente equipada, na capital, Harare, com as despesas de serviços e entretenimento também pagas pelo Estado.

A saúde também não entrará nas despesas do antigo presidente, já que um seguro de saúde para Mugabe e respetiva família está incluído nos benefícios do plano de reforma do ex-líder.

Mugabe é o primeiro líder daquele país a ter direito a este pacote de medidas, que foi apresentado na passada quarta-feira pelo novo presidente, Emmerson Mnangagwa. Fica por saber, porém, quanto vai, ao certo, o Zimbabué gastar com a reforma do antigo presidente. O britânico ‘Guardian’, contudo, explica que a constituição daquele país africano estipula que o ex-presidente tem direito a uma pensão equivalente ao salário do presidente em funções.

Alguma imprensa local — independente — dizia, por altura da resignação de Mugabe, que parte do acordo para o líder sair do poder incluía um bónus de reforma no valor de 10 milhões de euros, embora o governo negue estas afirmações.

Apoiantes tradicionais do regime desde que o país acedeu à independência, em 1980, os militares lançaram na noite de 14 para 15 de novembro uma operação nas ruas de Hahare para denunciar o afastamento, semanas antes, do vice-presidente Emmerson Mnangagwa, ordenado por Mugabe.

Colocado sob residência vigiada, Mugabe, 93 anos, acabaria por apresentar a demissão uma semana mais tarde, depois de muito pressionado pela União Nacional Africana do Zimbabué – Frente Patriótica (ZANU-PF), partido-Estado que liderou desde 1987.

A saída dos militares das casernas visou impedir que a “primeira-dama” Grace Mugabe sucedesse ao marido, uma vez que Robert Mugabe afastara Mnangagwa das funções de vice-Presidente, abrindo caminho para a mulher.

Mnangagwa, que, entretanto, se refugiara na África do Sul, regressou ao Zimbabué após o “golpe de força” militar, acabando investido como Presidente interino, tendo garantido assumir a transição até às eleições gerais previstas para meados de 2018.
Conhecido por “Crocodilo”, o novo Presidente zimbabueano nomeou vários generais para o seu Governo e promoveu-os também ao “estado-maior” da ZANU-PF.

Mnangagwa, candidato assumido da ZANU-PF às eleições presidenciais, prometeu conduzir o país até à votação, criando, paralelamente, condições que decorrem de forma “livre, justa e transparente”.

No entanto, Mnangagwa é contestado já pela oposição, que lembra que o novo chefe de Estado foi um dos executores da repressão política, económica e social levada a cabo durante o regime de Mugabe.

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