Rui Anastácio lamentou a incapacidade de antecipar uma situação que era expectável, já que há muito se sabia que a maioria dos médicos se aproximava da idade da reforma, bem como a ausência de soluções por parte da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do Tejo (ARS-LVT).

“Andamos há seis, sete meses a dialogar com a ARS, alertando para a situação que estamos a viver, que tem vindo a agravar-se, e a resposta que temos é que os próximos dois anos ainda serão piores, porque houve uma fornada de médicos que, entretanto, se vai reformar. Como se não se pudesse prever isso já há 10 anos”, disse o autarca.

Rui Anastácio afirmou que, numa reunião realizada hoje, a Comunidade Intermunicipal do Médio Tejo (CIMT) decidiu pedir uma audiência à ministra da Saúde, Marta Temido, dada a "ausência de estratégia" por parte da ARS-LVT.

“Esperamos que [o encontro] possa ser agendado rapidamente, porque o problema é realmente muito sério. É um problema generalizado no Médio Tejo, mas em Alcanena a situação é dramática”, frisou.

Para o autarca, é “absolutamente inexplicável” que em Lisboa e Vale do Tejo haja 20% da população sem médico de família e que no concelho de Alcanena esse número suba para 63%.

“Há inclusivamente alguma falta de solidariedade territorial, se pensarmos, por exemplo, que no Norte apenas 2% da população não tem” médico de família, acrescentou, defendendo que o Ministério da Saúde contrate, “a título excecional”, médicos tarefeiros para “uma resposta imediata”.

O autarca lamentou que o sistema de ensino não tenha salvaguardado uma situação que era expectável e considerou incompreensível que, a exemplo do que acontece com os pilotos formados pela Força Aérea, os médicos, “pelo custo que representa a sua formação”, não sejam obrigados a “dar ao país alguns anos da sua carreira”.

“É uma situação absolutamente inaceitável, que o país terá de resolver rapidamente”, disse.

Questionada pela Lusa, a ARS-LVT reconheceu que existem 7.582 utentes inscritos na Unidade de Cuidados de Saúde Personalizados (UCSP) de Alcanena sem médico de família atribuído.

Contudo, de acordo com a ARS- LVT, é assegurada diariamente uma consulta de recurso, “através dos médicos que integram a unidade de saúde, de um médico contratado e de uma médica prestadora de serviços”.

“Aguardamos a abertura do concurso nacional de ingresso na carreira especial médica, Medicina Geral e Familiar, no qual esperamos que venham a ser contempladas e preenchidas vagas na UCSP de Alcanena”, acrescentou.

Ainda segundo a ARS-LVT, existem atualmente quatro especialistas de Medicina Geral e Familiar do seu mapa de pessoal a exercer na UCSP de Alcanena, a que acresce um médico contratado ao abrigo do regime especial de contratação de médicos aposentados do Serviço Nacional de Saúde (SNS) e uma médica em regime de prestação de serviços.

Em Alcanena, circula um abaixo-assinado promovido pela Comissão de Utentes da Saúde do Médio Tejo (CUSMT) exigindo a colocação de médicos e a reabertura das extensões de saúde no concelho.

Segundo a CUSMT, nos últimos quatro anos, saíram nove médicos, tendo apenas dois sido substituídos, havendo o risco de, nos próximos meses, esta unidade ficar apenas com um médico de família disponível, devido a saídas para a reforma.

Contudo, a ARS-LVT assegurou que, “neste momento, não existe qualquer pedido de aposentação de médicos da UCSP de Alcanena a aguardar decisão da Caixa Geral de Aposentações”.

A CUSMT referiu, ainda, o encerramento, durante a pandemia de covid-19, das extensões de saúde de Monsanto, Serra de Santo António, Moitas Venda e Espinheiro, juntando-se às de Malhou e Louriceira, encerradas anteriormente.

“Os utentes deste conjunto de freguesias foram descentralizados para atendimento no centro de saúde de Alcanena que atualmente não consegue dar resposta às necessidades dos utentes do concelho”, sendo “repetidamente reencaminhados para os Hospitais do Médio Tejo”, indicou a CUSMT.

O abaixo-assinado reclama a reposição dos médicos de família, a reabertura das extensões de saúde encerradas nas freguesias e cuidados de saúde primários de proximidade.

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