“Vi aquele cenário devastador e desolador no noticiário e isso tocou-me especialmente. Achei que a melhor forma de contribuir era usar o meu talento para uma iniciativa solidária”, afirmou à agência Lusa.

E foi assim que nasceu a peça “Anjo sem asas” que está a ser alvo de um leilão virtual, através da rede social Facebook, na página de Óscar Rodrigues, de 36 anos e que é natural de Soutelinho do Mezio, no concelho de Vila Pouca de Aguiar.

Atualmente, o artista trabalha numa escola de hotelaria na Suíça e desloca-se várias vezes por ano a Portugal onde aproveita para se dedicar à sua arte.

O seu regresso a Portugal, em junho, coincidiu com a tragédia de Pedrógão Grande, onde morreram pessoas e o fogo deixou um enorme rasto de destruição, com casas ardidas, terrenos agrícolas queimados e floresta devastada.

Óscar Rodrigues quer ajudar no recomeço. Para isso quer ir entregar em mãos a verba conseguida, através das licitações ou doações, a algumas vítimas da aldeia de Pobrais.

O leilão irá decorrer até ao dia 15 de setembro.

Num tronco de árvore, o artista esculpiu um bombeiro de cerca de 3,30 metros, que “ironicamente” e apesar do nome dado à peça, tem umas grandes asas, ainda um machado, um capacete, botas e luvas.

Óscar esculpe a madeira utilizando a técnica de "wood carving", ou seja utilizando uma motosserra.

“É uma motosserra normalíssima, apenas tenho uma mais pequena e afiada como uma faca para fazer um detalhe mais de pormenor, específico”, explicou.

Esta é uma técnica ainda pouco conhecida e divulgada em Portugal.

Para além de ajudar as vítimas dos incêndios, com esta peça o artista quer ainda homenagear os bombeiros portugueses.

Quando participa em feiras, Óscar Rodrigues gosta de trabalhar ao vivo para que as pessoas possam ver a técnica e conheçam esta forma de esculpir.

Normalmente trabalha por encomenda. Atualmente, possui vários trabalhos em Tresminas, em Vila Pouca de Aguiar, e para onde criou peças mais associadas à natureza e agricultura, como a cabra montanhesa ou uma junta de bois.

Para a Quinta da Pacheca, localizada no Douro, criou uma garrafa com quatro metros, com um cacho de uvas em seu redor e ainda garrafeiras.

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