A funcionar em Lisboa desde 1995, este restaurante vive dias difíceis, conforme disse à agência Lusa a gerente do espaço, Isabel Nolasco.

“Levámos com uma pandemia e agora levamos com uma guerra. Dentro do restaurante nem sequer temos russos, apenas portugueses e ucranianos”, afirmou, contando que muitas vezes a tratam por russa, o que já nem se dá ao trabalho de esclarecer.

Há 27 anos a divulgar a comida russa, e não só, o restaurante A Tapadinha, na Tapada da Ajuda, em Lisboa, ficou conhecido pela pintura exterior, com cores garridas e imagens fortes, que se prolongam no interior.

Mas o sucesso chegou com a ementa, desconhecida da maior parte dos lisboetas aquando da sua inauguração. Desde então, pratos como o Farsh po Tatarski (bife tártaro) ou o Kotleta Klirinaia (peito de frango “Kiev”) passaram a fazer parte de muitas refeições, em parte devido ao chef ucraniano que ali trabalha desde que o restaurante abriu as portas.

A ementa deste restaurante russo percorre outras fronteiras, levando aos pratos dos comensais especialidades da Bielorrússia, Sibéria, Cazaquistão e Ucrânia.

Isabel Nolasco não entende a razão para desde sexta-feira, no dia a seguir ao ataque da Rússia contra a Ucrânia, os clientes terem fugido, embora respeite que alguns tenham medo de encontrar neste espaço alguma “confusão”.

Mas garante que por ali tudo está calmo, pois é um sítio de paz, com um ucraniano à frente dos destinos da cozinha, que não pretende falar à comunicação social. Aliás, como disse Isabel Nolasco, está tudo demasiado calmo, sem os clientes de outrora e as marcações do costume.

E isto acontece numa altura em que a pandemia de covid-19 afetou tanto a restauração, uma crise a que A Tapadinha não ficou indiferente.

Parece “bulling”, disse, partilhando alguma esperança em que tudo volte a ser como era, com os clientes a voltarem ao restaurante e a paz ao mundo.

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