Num auditório da Reitoria da Universidade de Coimbra cheio, 453 estudantes votaram a favor da condecoração da direção-geral da Associação Académica de Coimbra (AAC) que enfrentou o Estado Novo, há 50 anos.

A votação não contou com um único voto contra ou abstenção, naquela que foi uma Assembleia Magna convocada com um só ponto de discussão.

"Hoje agradecemos às mãos generosas que nos libertaram e ao vento amigo que nos devolveu a liberdade. Nem foram mãos desconhecidas, nem foi um vento distante. Estes homens e mulheres que aqui homenageamos são essas mãos. Eles tomaram em si a responsabilidade, e devemos-lhe agora o reconhecimento", refere a moção, lida pelo atual presidente da direção-geral, Daniel Azenha.

A moção reconhece "em todos os órgãos sociais da Associação Académica de Coimbra de 1969 a personificação dos princípios da Associação Académica de Coimbra na defesa uma sociedade democrática, universal, igual, não sujeita à determinação autoritária, e na promoção dos Direitos Humanos".

"É um dia muito feliz. Tinha receio que não tivesse adesão, mas os estudantes vieram fazer parte deste momento histórico e não deixaram esquecer o que aqueles estudantes fizeram por nós", disse à agência Lusa, no final da votação, Daniel Azenha.

Segundo o responsável da associação, as condecorações serão entregues durante as comemorações da crise académica de 1969 que estão a ser organizadas pela AAC.

Ao todo, serão condecorados os 26 membros da direção-geral da AAC de 1969, sendo o estatuto de sócio honorário da AAC, a mais elevada distinção da estrutura estudantil.

A crise académica de 1969 começou em 17 de abril daquele ano, quando Alberto Martins pediu a palavra, durante a inauguração do edifício do Departamento de Matemática, em que esteve presente o Presidente do país à época, Américo Thomaz, e o ministro da Educação, José Hermano Saraiva.

Alberto Martins seria detido essa noite. Seguiram-se várias iniciativas de contestação estudantil, nomeadamente manifestações e greve aos exames, a que o Governo respondeu com prisões e a incorporação compulsiva dos estudantes nas forças armadas, para combaterem na Guerra Colonial.

O reitor da Universidade de Coimbra e o ministro da Educação acabaram por se demitir.

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