Em Kiev, o dia de hoje começou com várias explosões e com as autoridades ucranianas a apelar aos residentes que procurassem refúgio, exatamente uma semana após uma vaga de ataques russos contra a capital da Ucrânia.

Segundo jornalistas da agência noticiosa France-Presse, as explosões aconteceram entre as 06:35 e as 06:58 (04:35 e 04:58 em Lisboa), tendo a primeira explosão sido antecedida pelo soar de sirenes de ataque aéreo.

Cerca de uma hora depois, o autarca de Kiev confirmou que várias explosões — fala-se em pelo menos cinco — tinham atingido o bairro de Shevchenkiv, no centro da capital, e pediu aos cidadãos que se mantivessem a salvo até que as sirenes de ataque aéreo parassem de soar.

Há vítimas a registar?

Os serviços de emergência ucranianos anunciaram que recuperaram os corpos de quatro pessoas em Kiev, enquanto na região de Sumy morreram mais quatro pessoas com um míssil.

“Durante as operações de resgate em Kiev, as unidades do Serviço de Emergência do Estado resgataram 19 pessoas. Quatro pessoas morreram e três foram hospitalizadas. Os trabalhos continuam”, informaram os serviços de emergência em comunicado.

A primeira vítima mortal encontrada foi uma mulher de 34 anos que morreu em casa, no bairro de Shevchenkivskyi, e que estava grávida de seis meses.

Pouco depois os serviços de resgate retiraram dos escombros o corpo sem vida do seu companheiro, da mesma idade.

O que causou as explosões?

As explosões sentidas esta manhã no distrito de Shevchenkiv, no centro da capital ucraniana, Kiev, deveram-se a "ataques de drones ‘kamikaze’", disse o chefe de gabinete da presidência do país.

"Os russos acham que [este ataque] vai ajudá-los, mas mostra o seu desespero", disse Andrey Yermak na plataforma Telegram, acrescentando que foram usados 'drones' (aeronaves não tripuladas) de fabrico iraniano.

Também no Telegram, o autarca de Kiev confirmou que as explosões se deveram a ataques de drones, que provocaram um incêndio num edifício não residencial e danos em vários prédios de apartamentos.

A força aérea ucraniana afirma que foi utilizado um total de 43 drones 'kamikaze', dos quais 37 foram abatidos por Kiev.

Um fotógrafo da AP fotografou um dos drones, com a asa em forma de triângulo e a ogiva pontiaguda claramente visíveis contra o céu azul, segundo a descrição da agência norte-americana.

O que diz o presidente ucraniano?

Numa reação aos ataques de hoje, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, disse que as ações das forças russas “não irão quebrar” o povo ucraniano.

“O inimigo pode atacar as nossas cidades, mas não serão capazes de nos quebrar”, afirmou nas redes sociais, citado pela AFP.

E a União Europeia?

A União Europeia (UE) está a investigar a venda pelo Irão de 'drones' à Rússia para utilização pelas forças russas na guerra da Ucrânia, revelou hoje o chefe da diplomacia portuguesa, admitindo mais sanções a responsáveis iranianos.

“Estamos à procura de mais informação dos serviços de informações sobre a utilização de drones iranianos na Ucrânia, por parte das forças armadas russas”, indicou o ministro dos Negócios Estrangeiros, João Gomes Cravinho.

Caso se conclua "que foram drones iranianos vendidos à Rússia depois de 24 de fevereiro [data de início da invasão russa da Ucrânia], haverá sanções acrescidas ao Irão”, explicou.

Entretanto, o que se passa na Rússia? 

O presidente da Câmara municipal de Moscovo, Serguei Sobianin, anunciou esta segunda-feira o fim da “mobilização parcial” na cidade decretada pelo Presidente da Rússia, Vladimir Putin, para reforçar a capacidade militar russa em plena guerra da Ucrânia.

“Segundo a informação do comissário militar de Moscovo, as tarefas de mobilização parcial, assentes num decreto presidencial e instruções do ministério da Defesa, foram concluídas na sua totalidade”, indicou o responsável moscovita.

Sobianin precisou que os pontos de recolha dos mobilizados encerraram hoje pelas 14:00 locais (12:00 em Lisboa). “As convocatórias enviadas no decurso do processo de mobilização ao local de residência e empresas deixam de ser válidas”, acrescentou, citado pela agência noticiosa russa Interfax.

Por outro lado, foi também concretizada a troca de 220 prisioneiros de guerra — 110 de cada lado —, anunciaram hoje as autoridades russas da região anexada de Donetsk.

De acordo com o relato feito por Pushilin na rede social Telegram, as autoridades da região anexada entregaram à Ucrânia “essencialmente mulheres”.

O número de prisioneiros libertados inclui 80 marinheiros mercantes, que tinham sido feito reféns, além de 30 soldados das repúblicas de Donetsk e de Lugansk.

Como é que Portugal olha para o conflito? 

João Gomes Cravinho anunciou hoje que militares portugueses vão participar numa missão de treino da União Europeia.

“Tomámos uma decisão importante relacionada com o estabelecimento de uma missão de apoio militar, uma missão de formação militar, para apoio à Ucrânia, que será essencialmente sediada na Alemanha e na Polónia e Portugal também participará, bem como os demais países europeus”, afirmou.

Gomes Cravinho lembrou ainda que “há novos militares ucranianos que estão a entrar ao serviço e que precisam de formação e haverá também necessidade de formação especializada na utilização de certos tipos de equipamento”.

“Aquilo que se está a prever é a ida de militares ucranianos para a Polónia e para a Alemanha para formação específica, de curta duração”, estipulando-se também “a participação de militares portugueses nessas ações, bem como a participação de militares ucranianos em atividades de formação em Portugal, nomeadamente nos carros de combate”, esta última ação já no âmbito de outra iniciativa bilateral, precisou o governante.

Por cá, o SEF informou esta segunda-feira que já concedeu 53.434 proteções temporárias a cidadãos e residentes da Ucrânia, dos quais 13.673 a menores, desde o início da guerra no país.

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