A CIM é constituída por nove municípios, sete do PS e dois do PSD, e os autarcas socialistas convocaram hoje uma conferência de imprensa, apoiada pela federação distrital do partido, para acusar o presidente de Bragança de “olhar apenas para o relvado do próprio jardim”.

Em causa estão os investimentos reclamados para o território no Plano Nacional de Investimentos (PNI) 2030 e queixas recentes do autarca social-democrata no sentido de que a reivindicação com 20 anos de Bragança da ligação a Espanha pela Puebla de Sanábria pode estar em causa por causa da inclusão de outra ligação à fronteira mais a norte, em Gudinha, por Macedo de Cavaleiros e Vinhais.

A socialista Berta Nunes, presidente da Câmara de Alfândega da Fé e vice-presidente da CIM, disse hoje que o documento com as reivindicações para a região “foi aprovado por unanimidade” pela Comunidade Intermunicipal e que “Bragança é a mais beneficiada” com o maior volume de investimento proposto.

A autarca contesta também a acusação feita por Hernâni Dias de que a CIM está “ingovernável”.

“Talvez por que não é ele a governar”, afirmou.

O presidente da Câmara de Macedo de Cavaleiros, Benjamim Rodrigues, não entende “o discurso agressivo” do autarca de Bragança para com os colegas socialistas e estranha a “insinuação de ingovernabilidade” numa comunidade em que, apesar de ter a maioria, o PS garante que tenta sempre consensos com o PSD nas tomadas de posição.

O autarca socialista lamentou ainda que o presidente da capital de distrito nunca faça menção no discurso “às ligações importantes” de outros concelhos a Bragança e referiu que “para a economia” desta cidade funcionar “é preciso também que os outros concelhos estejam a cooperar”.

Benjamim Rodrigues deu o exemplo do município de Macedo de Cavaleiros que celebrou um protocolo com o Instituto Politécnico de Bragança em que garante transporte a estudantes que precisem de alojamento.

Já o autarca de Vinhais, Luís Fernandes, vincou que o seu concelho e o de Vimioso são os dois em que mais pessoas se deslocam para trabalhar em Bragança e vice-versa.

Segundo disse Luís Fernandes, “94 pessoas de Vinhais estão a trabalhar na Faurécia”, a multinacional que se instalou em Bragança e é uma das maiores empregadoras.

Para outro autarca socialista, Fernando Barros, de Vila Flor, “ser presidente da Câmara de Bragança é ter responsabilidades acrescidas a nível regional, porque é a sede da CIM e a capital de distrito”.

“Temos de ter tranquilidade, responsabilidade e praticar a unidade regional”, defendeu.

O PS tem ainda mais três presidentes de Câmara na CIM, nomeadamente os de Mirandela, Miranda do Douro e Mogadouro, que não estiveram presentes na conferência de imprensa por impedimentos profissionais, mas que subscrevem esta posição, afirmou o presidente da federação, Jorge Gomes.

A Lusa tentou, sem sucesso, ouvir a reação do presidente da Câmara de Bragança, Hernâni Dias.

Bragança e Vimioso são os dois municípios do PSD na CIM Terras de Trás-os-Montes.

Questionados sobre como vai ser o relacionamento entre os autarcas do PS e o de Bragança futuramente na CIM, a vice-presidente, Berta Nunes, respondeu: “Vamos ter de lhe perguntar como é que ele se quer posicionar, se quer consensos ou se se quer excluir”.

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