Na sequência das autárquicas de 2017, em que o movimento independente perdeu a maioria absoluta com que governava no anterior mandato, o executivo municipal ficou composto por três eleitos da Candidatura Livre e Independente por Portalegre (CLIP), dois do PS, um da CDU e um do PSD.

Para garantir uma gestão maioritária, a CLIP celebrou acordos com os vereadores do PSD e da CDU, a quem atribuiu pelouros.

“Apesar dos constrangimentos” financeiros no início do primeiro ano do segundo mandato, a saída em fevereiro do excesso de endividamento representou um “marco para a vida do município", afirma a presidente independente, em declarações à agência Lusa, satisfeita por poder reestruturar a dívida, na ordem dos 24 milhões de euros.

Com o saneamento financeiro, segundo Adelaide Teixeira, "foi possível" iniciar várias intervenções de reabilitação urbana, realizar trabalhos de limpeza na Serra de São Mamede e criar o gabinete Invest Portalegre e o Espaço Empresas para apoiar investidores, empreendedores e empresários.

A reestruturação do parque escolar, conclusão de obras em estações de tratamento de águas residuais e a integração de trabalhadores no quadro do município são outras das medidas que aponta.

Da parte da oposição, as principais críticas vêm dos vereadores socialistas, os únicos sem pelouros, que fazem um balanço negativo do trabalho da maioria que gere a autarquia, lamentando que o concelho não consiga ser capaz de se transformar na “locomotiva” de todo o distrito.

“Portalegre não resolveu o problema financeiro como foi dito, resolveu apenas um probleminha, que é o de tirar Portalegre do impedimento de fazer contratação, porque substitui o valor da dívida por outra dívida. Empurrou-se a dívida com a barriga para a frente”, criticou José Correia da Luz, um dos vereadores do PS e antigo presidente do município vizinho do Crato.

Considerando que “faltam ideias” à maioria liderada pela CLIP para promover o desenvolvimento e Portalegre poder "ombrear com outras cidades do interior", José Correia da Luz diz que se vive no concelho um “desconforto” a nível empresarial, social e cultural.

Responsável pelos pelouros dos Transportes, Educação, Ambiente e Defesa dos Consumidores, o vereador da CDU, Luís Pargana, admite à Lusa que a solução governativa que resultou após as eleições de 2017 “está longe de atingir” os seus objetivos.

“De toda a listagem de princípios acordados nenhum está ainda concretizado. O acordo [com a CLIP] tem um horizonte temporal para os quatro anos de mandato, mas alguns desses princípios assinados tinham `timings` para a sua efetivação”, lamenta.

A título de exemplo, Luís Pargana aponta a alteração ao perímetro e às zonas de estacionamento pago como uma das primeiras medidas que deveria ter sido cumprida no âmbito do acordo celebrado com a CLIP.

Questionado se poderá vir a “rasgar” o acordo caso não sejam atingidos os objetivos, o autarca comunista afirma que a CDU “avaliará” a cada momento a “boa-fé” de todas as forças políticas envolvidas no processo.

A Lusa contactou também vereador eleito pelo PSD, Armando Varela, responsável pelos pelouros do Turismo, Energia e Saúde, mas o autarca escusou-se a fazer um balanço do primeiro ano de mandato, remetendo para “mais tarde” uma posição sobre esta matéria.

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