“Alarma-nos a tentativa de aproveitar as dificuldades internas que a Bielorrússia atravessa, o povo bielorrusso e os seus dirigentes, para intromissões. E não apenas intromissões, mas a imposição ao povo bielorrusso do que atores externos consideram adequado”, afirmou Serguei Lavrov numa entrevista ao canal Rossiya 1.

Segundo o ministro, o que está a acontecer na Bielorrússia tem um contexto geopolítico e é “uma luta pelo espaço pós-soviético”.

“Nada do que ouvimos das capitais europeias, especialmente dos países Bálticos, da Polónia e do Parlamento Europeu, tem a ver com [o Presidente bielorrusso] Alexander Lukashenko, os direitos humanos ou a democracia. É tudo geopolítica”, disse Lavrov.

O ministro russo defendeu que o povo bielorrusso, “na sua sabedoria”, não precisa de mediação para resolver a crise e manifestou a esperança de que “não se deixe conduzir por quem precisa dele apenas para dominar esse espaço geopolítico e promover a lógica destrutiva de escolher entre a Europa e a Rússia”.

Lavrov aludiu aos protestos antigovernamentais de 2004 e 2014 na Ucrânia e afirmou: “Vimos qual foi o resultado”.

O ministro russo frisou que esta posição “não significa” que considere que as eleições presidenciais de 09 de agosto na Bielorrússia “tenham sido ideais”.

“Claro que não. Há muitos testemunhos e é algo que é reconhecido pelas autoridades bielorrussas, que estão a dialogar com os cidadãos que protestam contra o que consideram ser uma violação dos seus direitos”, afirmou.

Serguei Lavrov assegurou que as autoridades bielorrussas estão dispostas a dialogar, dizendo esperar que os manifestantes se disponham a conversar e acusando-os de provocar a violência.

“Vemos em vídeos e nas redes sociais apelos abertamente provocadores. Vemos como tentam provocar as forças da ordem, por vezes recorrendo à violência contra eles”, disse.

A crise na Bielorrússia foi desencadeada após as eleições de 9 de agosto, que segundo os resultados oficiais reconduziu o presidente Alexander Lukashenko, no poder há 26 anos, para um sexto mandato, com 80% dos votos.

A oposição denuncia a eleição como fraudulenta e milhares de bielorrussos saíram às ruas por todo o país para exigir o afastamento de Lukashenko.

Os protestos têm sido duramente reprimidos pelas forças de segurança, com quase 7.000 pessoas detidas, dezenas de feridos e pelo menos três mortos.

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