O chefe do executivo municipal deu conta da “decisão de não avançar com o projeto que tinha sido apresentado e de se iniciar um processo de concurso de ideias” para a “reconfiguração da praça do Martim Moniz” na reunião pública da autarquia, a decorrer esta tarde nos Paços do Concelho.

Fernando Medina (PS) admitiu que “por detrás do debate” decorrido nos últimos meses, marcado por muitas críticas de autarcas e moradores, “está uma preocupação legítima e profunda com a cidade, que é o facto de a cidade de Lisboa se ter alterado muito nos últimos anos” e a Baixa lisboeta se ter transformado “num espaço de pressão turística”.

“Eu identifico-me com estas posições. Acho que têm sentido. Acho que são uma leitura que importa valorizar sobre o estado atual da cidade de Lisboa”, reforçou.

O autarca salientou que, “ao longo destes últimos meses”, o executivo tem procurado uma “solução que sirva bem a cidade de Lisboa”, adiantando que tem havido um diálogo com o promotor e que não vai haver “uma rescisão unilateral do contrato” de concessão da Praça do Martim Moniz com a empresa Moonbrigade.

Segundo Fernando Medina, o promotor foi “muito claro”, afirmando que “não queria de forma alguma desenvolver um projeto” que não ia ao encontro das pretensões da população.

Relativamente às compensações financeiras a pagar pelo município, Fernando Medina disse que ainda não é possível quantificar e que em setembro essa questão será tornada pública.

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O autarca recordou que a decisão da câmara “não tinha sido feita sobre uma folha em branco”, uma vez que existe um contrato de concessão em vigor e a autarquia não tinha “uma liberdade total” de adequação do projeto, “se não num quadro de um custo financeiro de grande significado para a cidade de Lisboa".

O presidente da autarquia adiantou ainda que, para já, vão ser retirados os tapumes e a praça do Martim Moniz vai ficar tal como estava.

“Acho que esta é uma boa solução para a cidade. Uma boa solução para o Martim Moniz. Não me custa rigorosamente nada mudar de ideias, até porque acho que quando as mudamos para melhor é bom que isso aconteça”, reforçou Medina.

Intervindo na reunião, BE, PCP, CDS-PP e PSD saudaram a decisão do executivo liderado pelo PS.

O vereador centrista João Gonçalves Pereira referiu que era “importante” que todas as forças políticas tivessem acesso ao parecer jurídico sobre o projeto, enquanto a eleita do PCP Ana Jara defendeu que esta é uma “notícia muito positiva” para a cidade.

Manuel Grilo, do BE, considerou que “há sempre alternativas”, saudando as iniciativas dos cidadãos contra o projeto.

Por seu turno, o eleito do PSD João Pedro Costa realçou que a “maioria dos lisboetas não se revia no projeto dos contentores”, recordando que o seu partido apresentou uma proposta, que não chegou a ser votada, para fosse lançado um concurso internacional de ideias sobre o projeto.

A proposta, que previa a instalação de cerca de 30 a 50 espaços comerciais em contentores revestidos, foi muito criticado por moradores e autarcas da capital, tendo inclusivamente criado um movimento que exigia um jardim para aquele espaço.

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