“Por isso mesmo eu fiz questão de vir aqui para que Cabo Verde, e África em geral, mas Cabo Verde em particular, não fique esquecido. Porque aquilo que é o impacto que uma guerra tem lá no próprio país, tem um impacto também direto nestes países e, portanto, não podemos deixar”, afirmou a apresentadora e atriz portuguesa, questionada pela Lusa após a visita à maternidade do Hospital Universitário Doutor Agostinho Neto (HUAN), na Praia.

Catarina Furtado iniciou hoje uma visita de dois dias a Cabo Verde, acompanhada pela diretora-adjunta do FNUAP para a África Ocidental e Central, Fabrizia Falcione, para conhecer progressos e desafios em matéria de Saúde Sexual e Reprodutiva, Igualdade de Género e Direitos Humanos, sem esconder os receios com as consequências da eventual falta de apoio aos programas sociais em África, em função do conflito na Europa, provocado pela invasão da Ucrânia pela Rússia.

“É evidente que temo, por isso mesmo coloquei na agenda destes dois dias (…). Porque o sofrimento não se mede, a dor não se mede, cada pessoa conta, cada mulher conta”, enfatizou.

“E se está mais do que provado que em todos os contextos, e até na guerra da Ucrânia, são mais uma vez as mulheres que têm que inovar a sua vida, que se têm que reinventar, é muito claro que são as mulheres sempre as maiores vítimas de todas os conflitos, mas também de todas as desigualdades sociais, são as mulheres sempre”, disse ainda.

Catarina Furtado foi nomeada embaixadora da Boa Vontade do FNUAP - agência de saúde sexual e reprodutiva das Nações Unidas - em 2000, pelo então secretário-geral da ONU, Kofi Anan.

Na Praia, Catarina Furtado visitou a maternidade da HUAN, ilha de Santiago, que realizou em 2021 quase 3.900 dos 8.000 partos que se registam em todas as ilhas de Cabo Verde por ano.

“Metade nascem aqui”, disse à Lusa o médico António Cruz, diretor do Serviço de Neonatologia do HUAN.

Acrescentou que em 2020 a mortalidade infantil em Cabo Verde foi de 10,8 crianças por cada mil nados-vivos, até 1 ano de idade.

“Se compararmos com a data da independência [1975], que era de 108 crianças por cada mil nascidos vivos, temos menos que 10% agora. É uma diferença muito grande, demos um passo extraordinário”, acrescentou António Cruz.

Resultados que para Catarina Furtado representam o “exemplo” de Cabo Verde, nos países lusófonos e em África: “Tenho andado a viajar por muitos países em desenvolvimento e levo sempre Cabo Verde no coração como exemplo das boas práticas que têm tido no que diz respeito, sobretudo, às questões da saúde materna, da saúde sexual e reprodutiva, dos direitos humanos, de tudo aquilo que tem a ver com o trabalho árduo do Fundo das Nações Unidas para a População”.

Catarina Furtado já se reuniu hoje com o ministro da Saúde, Arlindo do Rosário, e outros membros do executivo do setor da saúde, e reconheceu, no final, que as “muitas conquistas” de Cabo Verde nesta matéria “são de louvar”, embora ainda com “muitos desafios”, também devido às consequências da pandemia de covid-19.

“Aquilo que ficou claro é que vai haver da parte do Governo cabo verdiano um investimento sério, sobretudo nas áreas também que eu levantei neste encontro com o FNUAP, que é tentar atingir as zero mortes maternas por causas evitáveis, as zero necessidades não realizadas em matéria de planeamento familiar saúde sexual e reprodutiva e as zero formas de violência com base no género, que é fundamental. Para isto é preciso, obviamente, haver um compromisso e pareceu-me que sim, que esse compromisso existe”, reconheceu ainda.

Elogiou o “trabalho incrível” e “de compromisso” no hospital central cabo-verdiano e pediu atenção para as questões “da não mortalidade materna”, garantindo que leva de Cabo Verde, para outros países, o exemplo do “sentido de compromisso” do Governo e do trabalho em equipa, enquanto elemento “inspirador”.

“Um compromisso com a seriedade, com as promessas concretizadas, com a ideia de que as pessoas contam e que a população conta e que tem de ser ouvida (…). Há que se investir mais nas mulheres, no seu papel na sociedade, na sua educação, mas depois na sua implementação de um trabalho digno e nas suas competências. Portanto tudo isso é muito inspirador sobretudo nos países da lusofonia onde muitas vezes as mulheres são deixadas para trás”, concluiu.

Como embaixadora de Boa Vontade do FNUAP, Catarina Furtado vai ainda visitar estruturas de saúde em Cabo Verde e terá encontros com jovens e associações juvenis, com mulheres, ativistas e influenciadores, entre outros intervenientes da sociedade cabo-verdiana.

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