“Vim filmar aqui para mostrar aos meus amigos”, diz à agência Lusa Stansislav, pouco antes de começar a transmissão do vídeo feito a partir de um telemóvel.

Ao longo dos minutos seguintes, Stanislav faz o percurso entre os carros destruídos, que começaram já a ser retirados, dezenas de carcaças de veículos incendiados, com muitos pedaços de esponja, defronte do centro comercial.

No ataque, morreram pelo menos oito pessoas e em redor veem-se muitos prédios com grandes danos, como os vidros estilhaçados, e árvores incendiadas.

O sangue ainda é visível no chão num dos acessos ao parque de estacionamento, que as autoridades ucranianas insistem que só tinha uso civil. A Rússia alegou que estavam na zona vários veículos militares, mas hoje não se consegue distinguir qualquer destroço de equipamento desse tipo, embora se vejam pedaços de camuflado.

Enquanto as máquinas de obras retiram os destroços do local, há quem procure a zona para ver ao vivo a destruição.

“Vivo aqui ao pé, a dois quarteirões, ouvi a explosão, mas só hoje é que vim cá ver”, diz Natalia, 33 anos, que foi com o marido, num passeio a meio da tarde.

“Só saímos de casa uma vez por dia, vamos às compras, damos uma volta e voltamos”, explica, enquanto esfrega as mãos para combater o frio.

Hoje, o dia em que se assinala um mês da invasão russa, a capital ucraniana acordou com mais frio, mas nada que incomode Natália.

“Com frio ou com calor, vamos ganhar esta coisa”, diz, enquanto põe as mãos nos bolsos.

Instantes depois, elementos da unidade de defesa territorial — civis militarizados que vigiam vários pontos de circulação — foram ao local e afastaram as pessoas que estavam a fotografar a zona, incluindo os jornalistas.

A ONU confirmou hoje que pelo menos 1.035 civis morreram e 1.650 ficaram feridos na guerra da Ucrânia desde 24 de fevereiro, sublinhando que os números reais poderão ser muito superiores. O conflito obrigou já mais de 10 milhões de ucranianos a fugirem, 3,6 milhões dos quais para o estrangeiro.

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